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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Autoproclamação na Bolívia é legítima?

Equipe BR Político

Na contramão do Itamaraty e de Washington, cientistas políticos brasileiros alertam que a autoproclamação da senadora Jeanine Añez como presidente da Bolívia é ilegítima. Eles reconhecem, no entanto, que o ex-presidente Evo Morales também não respeitou a Constituição ao concorrer novamente à Presidência depois de ter perdido em 2016 um referendo que poderia permitir uma nova reeleição, segundo a Folha.

Cerimônia de posse de Jeanine Añez, em La Paz Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Na avaliação do cientista político Demétrio Magnoli, Evo sofreu um contragolpe. “O pronunciamento militar pedindo a renúncia de Evo indica um contragolpe. Já havia um golpe em câmera lenta conduzido por Evo contra as instituições democráticas”, diz.

Para o diplomata Rubens Barbosa, presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Añez não poderia ter assumido a Presidência. “O que aconteceu ali não foi o que está previsto na Constituição boliviana. Nem Câmara nem Senado tinham quórum. Não poderia ter havido a autoproclamação dela como presidente da República”, diz.

Já para o professor de ciência política da USP, José Álvaro Moisés, não está claro de quem é o direito constitucional de assumir a presidência do país vizinho. “A situação coloca a Bolívia em um quadro de retrocesso na América Latina.”

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