Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Na nova política, inimigo vira aliado e colega vira rival

Marcelo de Moraes

Depois que o Supremo Tribunal Federal decidiu, no domingo, que os presidentes do Senado e da Câmara não poderiam tentar a reeleição, instalou-se uma espécie de vertigem no Congresso. A disputa pelas cadeiras vagas de Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia deflagrou uma corrida desenfreada pelos postos e produziu situações políticas para lá de surpreendentes. Nesse clima de salve-se quem puder, a nova política mostra que, se um dia existiu, já ficou para trás. Pois nessa briga, inimigos se juntam e aliados se afastam conforme seus interesses.

Uma delas: Arthur Lira (PP-AL) já tem o apoio de Jair Bolsonaro e agora tenta atrair os votos do PT para sua candidatura, devendo até se reunir com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do assunto. Ou seja, rivais ferozes na política nacional poderão estar juntos e alinhados em fevereiro para tentar eleger Lira. Se o acordo vingar, certamente vai haver alguns sorrisos constrangidos, alguns “veja bem” e a certeza de que a articulação política segue extremamente elástica como sempre.

Arthur Lira (PP AL). Foto: Dida Sampaio/Estadão

Até porque não é nada que o próprio Rodrigo Maia não tenha feito na disputa passada. Na ocasião, teve o apoio oficial dos bolsonaristas, mas também recebeu voto dos partidos de esquerda. Isso logo depois de uma campanha presidencial duríssima que opôs Bolsonaro e o petista Fernando Haddad.

A luta pelo controle da Câmara também já custou a cabeça do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, demitido depois de se queixar em público que sua pasta estava sendo oferecida em troca de apoio para Lira. O agora ex-ministro acusou o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, de comandar o movimento e o chamou de “traíra”, num grupo de WhatsApp dos ministros. Diante disso, sua posição ficou insustentável. Por ironia, Marcelo Álvaro volta a ser deputado federal e, portanto, tem direito a votar nessa eleição. Será que vai se alinhar com o movimento que lhe custou o cargo?

O mais recente malabarismo na eleição é a possibilidade de dois candidatos do PP disputarem a Câmara. O grupo de Maia pensa em lançar o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) para enfrentar Lira, que é líder da bancada e seu colega de partido. Talvez seja apenas o começo. Como a eleição acontece apenas no dia 1 de fevereiro, ainda há muita negociação para ser feita.

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