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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A crise de coronavírus em seus múltiplos enfoques

Vera Magalhães

O Estadão publica neste domingo um conteúdo especial em que colunistas do jornal analisam a crise da pandemia de coronavírus em seus múltiplos e complexos desdobramentos: saúde, educação, economia, turismo, política e outros.

Renata Cafardo mostra como a restrição às aulas deve acentuar a já brutal diferença entre ricos e pobres. “A pobreza já é um dos fatores que mais contribuem para o fracasso no ensino. Em um contexto sem escola, são os mais vulneráveis que têm menos oportunidade de aprendizagem em casa, como livros, atividades de lazer e pais que ajudam a criança a se desenvolver. Muitos também dependem da escola para se alimentar adequadamente”, aponta.

Fernando Reinach aborda o custo psicológico do isolamento que os brasileiros começam a experimentar, mas que tende a se intensificar. “Vários impactos foram detectados durante o isolamento: depressão, estresse, mau humor, irritabilidade, insônia, estresse pós-traumático, raiva e exaustão emocional. Esses são os sintomas com maior prevalência. No caso de pessoas isoladas por Sars e Mers, 20% ficaram com medo, 10% com sentimento de culpa e 18% com tristeza. Também houve pessoas com sentimentos positivos, 4% se sentiram aliviados e 5%, felizes”, mostra, citando estudo científico sobre efeitos psicológicos em pessoas submetidas a isolamentos.

Zeina Latif escreve sobre os desafios econômicos do coronavírus e compara a crise atual com a última recessão global, de 2008, mostrando que são bem diferentes e que as receitas adotadas naquela época, anticíclicas, talvez não sirvam agora. “O impacto na economia brasileira é inevitável, como ficou claro pelo comportamento dos mercados, mesmo que não houvesse chance de epidemia em nosso território. Há vários canais de contágio econômico: alta do dólar, que implica pressão de custos e dificuldades na tomada de decisão de empresas; falta de insumos em alguns setores, como já apontado pela indústria automobilística; encolhimento do comércio mundial; piora da confiança de investidores e perdas de capital, entre outros. A lista não é pequena.”