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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A ‘crise de prestígio’ das Forças Armadas

Equipe BR Político

Para o cientista social João Roberto Martins Filho, que estuda as Forças Armadas desde os anos 1980, os militares têm menos influência hoje no governo em relação à fase inicial da gestão do presidente Jair Bolsonaro. “Menos (influência) do que achávamos no início do governo. Nunca achei que seriam o lado racional do governo, mas não esperava que fosse ser tão ruim para eles. Foi um desgaste muito grande. Ao mesmo tempo, o conservadorismo é muito forte e também o pragmatismo. Hoje, parecem ter uma visão mais curta, pensando no que podem tirar em termos de equipamentos militares dessa relação com os Estados Unidos, por exemplo. É um momento muito pobre em termos de pensamento das Forças Armadas. Estamos vivendo uma crise de prestígio que deveria preocupá-los”, disse o acadêmico ao site da BBC Brasil.

O pesquisador não vê diferença entre gerações, levando em conta que quem está hoje no governo se formou antes do retorno à democracia.. “Não vejo diferença. Gostaria de acreditar que, 35 anos depois, teríamos uma corrente democrática nas Forças Armadas que percebesse os danos que podem vir dessa associação com a política partidária. Infelizmente, não vejo crítica deles ao que aconteceu durante o governo militar e vejo um discurso de anticomunismo que justifica, na visão deles, o apoio ao Bolsonaro.”

O saldo positivo da relação das Forças Armadas com a política do atual governo para os militares é a “reestruturação da carreira por meio da reforma da Previdência” e “de terem melhorado muito seus salários, principalmente aqueles que estão mais avançados na hierarquia, a partir de coronel e general”. Já o negativo é o fato de que os militares “não conseguiram moderar o presidente, não conseguiram conter a piora da imagem externa ao Brasil — hoje, o Brasil tem uma imagem que não tinha desde a ditadura. Conseguiram coisas pontuais — evitar a transferência da embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, evitar interferir na Venezuela. Eles deveriam ser contrários a essa deterioração da imagem do Brasil, mas hoje o conservadorismo entre eles não permite afirmar que houve um afastamento. Houve tensões, mas não afastamento”.

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