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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A delação frustrada de Eduardo Cunha

Equipe BR Político

Em uma tentativa frustrada de fechar um acordo de delação premiada, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha citava 120 pessoas e concentrava sua artilharia no ex-presidente Michel Temer. Um dos esboços da delação fracassada de Cunha foi compartilhado por procurados num grupo no aplicativo Telegram e seus termos estão em reportagem que a Folha publica nesta quinta-feira, ainda como parte do material compartilhado a partir de vazamento obtido pelo site The Intercept Brasil.

O documento, com mais de 100 capítulos, é de 2017. Em reportagem no início da série da Vaza Jato, outro diálogo entre Sérgio Moro e os procuradores mostrava que o então juiz era contra que se fechasse um acordo de delação com Cunha.

No esboço de colaboração, Cunha admite o próprio papel na máquina de arrecadação de propina do MDB e diz que passou a gerenciar os pagamentos ao partido no governo Lula. Ele diz ter repassado propina para mais de 60 deputados, fala em quantias que superam centenas de milhões e não poupa nem o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a quem acusa de ter recebido R$ 300 mil do empresário Natalino Bertim, por meio de Moreira Franco, padrasto de sua mulher.