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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A frustração sul-americana

Equipe BR Político

Um dos temas centrais que estarão presentes na eleição argentina que ocorre no próximo domingo, 27, é a redução da classe média. O empobrecimento do grupo pode custar a reeleição ao atual presidente do país, Maurício Macri. Desde 2015, 2,7 milhões de argentinos saíram da classe média e passaram a fazer parte do grupo considerado pobre – que já engloba 35,4% da população argentina, como informa o Estadão.

Na avaliação do colunista William Waack, a situação no país vizinho tem denominadores comuns à dos demais países da América do Sul, que recentemente passam por um período turbulento na política. É que a prolongada estagnação econômica desses países alimenta o que o colunista chama de “ciclo da frustração”.

“Há algo comum a todos: um sentimento difuso de frustração trazido pela demora em romper a perceptível estagnação que caracteriza um conjunto de nações preso à armadilha da renda média, e cuja distância em relação aos países mais avançados continua praticamente a mesma de uma geração atrás”, escreve em sua coluna desta quinta-feira, 24, no Estadão.

A estagnação, argumenta, leva à impaciência e ao desejo de mudança que estariam por trás dos resultados eleitorais vistos na Argentina, no Chile e no Brasil. Esse resultado, diz Waack, é provocado “menos pela esperança num futuro melhor e muito mais pela indignação com a corrupção, medo com a criminalidade e profunda desconfiança na capacidade do ‘sistema’ de resolver problemas agudos – ‘sistema’ passa a ser tudo, da administração pública à imprensa, passando (claro) pelo Judiciário. Ganha quem prometer derrotar o ‘sistema’”.