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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A live de Eduardo dirigindo por Brasília

Vera Magalhães

O dia de trabalho na Câmara parece ter sido pesado para Eduardo Bolsonaro. Depois das 22h, o deputado fez uma live-desabafo em sua conta no Instagram enquanto dirigia seu carro pelas vias de Brasília (a capital federal não tem ruas, tem eixos, quadras, vias que começam com L ou W).

Eduardo se queixou de “algumas imprensas”, dos artistas que “até ontem estavam vivendo da Lei Rouanet”, do PT, claro, e dos que querem “destruir o governo Bolsonaro”. Afirmou que o governo do pai não é um “governo de heróis” e teceu comparações, sem se aprofundar nelas, entre a pandemia de coronavírus e a Guerra do Paraguai ou a Segunda Guerra Mundial.

Seu desabafo foi acompanhado ao vivo por mais de 6.500 pessoas. Com um olho na pista e outro na tela do celular, um visivelmente cansado Eduardo começou justamente falando disso: “Vai dar 11 da noite e não há quem sobreviva só de coronavírus”. Disse que precisava, literalmente, respirar.

Se pôs então a conjecturar o que haveria por trás do pedido de pressa para que Jair Bolsonaro liberasse o dinheiro emergencial para quem precisa, já aprovado pelo Congresso. “Desgastar o governo”, concluiu. Segundo ele, a “lacrolândia” encampou o discurso de que o dinheiro precisa chegar ao “mais humilde etc. etc.”. Seria coisa de quem não tem “escrúpulo” de aceitar a vitória de Bolsonaro e quer arquitetar seu impeachment.

Esse movimento, aliado a “certas imprensas”, teriam o objetivo de destruir o governo Bolsonaro. Falou sobre alguma ligação entre o jogador Tinga e essas reportagens que não foi possível compreender. “Literalmente fumam um baseado e começam a escrever”, disse Eduardo.

Para o deputado, alguns veículos foram “desmascarados” por pessoas que ganharam notoriedade em seus canais do YouTube justamente por apontar esse intuito (muitos desses youtubers estiveram na manhã de ontem com Bolsonaro no Alvorada, hostilizando a imprensa, em cena filmada por Carlos Bolsonaro e que levou os jornalistas a virarem as costas e irem embora).

Então, Eduardo passou à vitimização. Disse que o governo do pai, por não ser feito de heróis, “pode errar”. Mas seria o primeiro governo de direita, formado por conservadores cristãos. E passou a fazer análise política: e se Haddad tivesse ganhado? “Quem mais colocaria Sérgio Moro na Justiça?”. Para ele, o ministro da Economia do PT seria Antonio Palocci (que, ele se esquece, delatou Lula, Dilma e o partido na Lava Jato) e a titular da Justiça poderia ser Gleisi Hoffmann. “Tem sim de lembrar como o PT tava roubando a gente”, frisou.

No final, se dirigiu diretamente aos seguidores que acompanhavam a live sobre rodas. “Se não fossem vocês a gente não seria nada”, disse, pouco antes de avisar que teria de desligar, puxar o freio de mão e terminar com uma mensagem histórico-motivacional. “O mundo não vai acabar não”, disse o filho do presidente.

“Vamos atravessar, somos um povo muito aguerrido”, disse Eduardo, lembrando nossas atuações na Guerra do Paraguai e na Segunda Guerra Mundial. A “questão do coronavírus”, encerrou, independe dos governos. Requer “esforço e união”, concluiu.

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