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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A nostalgia imperial do Brexit

Vera Magalhães

Em sua coluna deste sábado na Folha, Demétrio Magnoli desmonta as comparações feitas por entusiastas do Brexit entre o novo premiê britânico, Boris Johnson, e seus dois antecessores conservadores mais destacados: Margareth Thatcher e Winston Churchill. Ele atribui esse truque retórico à tentativa de emular um passado glorioso da Inglaterra, que não é possível reviver nas atuais condições econômicas e políticas. Além disso, desfaz alguns erros históricos, ao lembrar que Thatcher votou “sim”, pela entrada da Inglaterra na Comunidade Europeia, em 1975.

“O Brexit obedece a dois comandos ideológicos. De um lado, veicula uma nostalgia imperial: o desejo de retroceder o relógio à “idade de ouro”. De outro, exprime o nacionalismo xenófobo de uma Inglaterra insular, avessa ao cosmopolitismo e à imigração. Na base da ruptura com a União Europeia encontra-se a crise geral do sistema político britânico e a crise singular que ameaça desmantelar o Partido Conservador”, resume Magnoli.