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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A nova treta do incansável Weintraub

Vera Magalhães

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Abraham Weintraub é sem dúvida o recordista de tretas do governo Jair Bolsonaro, o que, por si só, já é uma marca difícil de obter, dada a competição acirrada.

O ministro da Educação, que já era alvo de um inquérito por racismo no Supremo Tribunal Federal por ofender os chineses nas redes sociais e foi convocado a depor em outro feito na mesma Corte por conta de suas falas na reunião ministerial de 22 de abril, em que pediu a prisão de “vagabundos”, a começar pelos 11 ministros do próprio STF, agora comprou nova briga com a comunidade judaica brasileira e internacional.

Weintraub comparou a ação do Supremo contra empresários, políticos e influenciadores bolsonaristas à Noite dos Cristais, episódio ocorrido na noite de 9 de novembro de 1938, em que sinagogas, estabelecimentos comerciais e residências de judeus foram atacados pelas forças da SA nazista e por civis simpatizantes de Adolf Hitler.

O nome Noite dos Cristais faz alusão aos cacos de vidros dos estabelecimentos e casas atacados espalhados pelo chão de Berlim, mas houve incêndios e outras formas de destruição. O ataque deixou vítimas. O número varia dos 38 estimados à época a mais de 90, segundo os cálculos atualizados por historiadores.

A comparação estapafúrdia feita pelo ministro que deveria cuidar da Educação do Brasil suscitou reações imediatas e muito drásticas da comunidade judaica. O American Jewish Comitee, entidade global de defesa dos direitos do povo judeu, deu um “basta” à atitude de Weintraub, que por incrível que pareça tem ascendência judaica, em sua conta no Twitter. “A repetida instrumentalização política da história do Holocausto por integrantes do governo brasileiro é profundamente ofensiva aos judeus de todo o mundo e um insulto às vítimas e aos sobreviventes do terror nazista. Isso precisa parar imediatamente”, clamou a organização.