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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘A OMS se associa a Jair Bolsonaro’, interpreta presidente

Alexandra Martins

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Nos 14 minutos da paradinha de Jair Bolsonaro na frente do Palácio da Alvorada nesta terça, 31, o que o presidente mais comemorou foi a parte da declaração do diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, dada ontem sobre a necessidade de garantir renda à população pobre durante pandemia do coronavírus. “Vocês viram ontem a fala do presidente da OMS? Quem viu? Que tal ocupar a rede nacional para falar sobre isso? Nós temos dois problemas: o vírus e o emprego que não podem ser dissociados. Me chamaram de genocida por defender o direito de vocês trabalharem. Ele estava até um pouco constrangido, mas falou a verdade. Achei excepcional, parabéns a ele. A OMS se associa a Jair Bolsonaro”, disse o presidente aos risos.

Ghebreyesus afirmou que, mesmo com o isolamento social, todo e qualquer país deve garantir a sobrevivência dos mais pobres, sem mencionar a necessidade de abertura irrestrita do comércio. “Cada indivíduo importa. Como cada um é afetado por nossas ações deve ser considerada. E isso diz respeito a todos os países. Até o país mais rico tem pessoas que precisam trabalhar para o seu pão diário (…) Se estamos limitando a circulação, o que vai acontecer com essas pessoas? Todo e qualquer país, com base em sua situação, deve responder a essa pergunta”, afirmou o africano. Em outro momento, complementou o argumento: “Não estamos apenas analisando o impacto econômico da covid-19 em um país ou a perda de PIB. Temos que ver também o que isso significa para o indivíduo. Eu venho de uma família pobre. Eu sei o que significa se preocupar com o seu pão diário”.

O presidente tem defendido o fim do isolamento horizontal para que os trabalhadores informais possam levar o “pão e leite” para dentro de casa, mas Ghebreyesus jamais abraçou essa tese, que iria contra as recomendações da OMS, e tampouco minimizou as milhares de vidas humanas ceifadas pela doença ou mesmo priorizou a economia em desfavor da sobrevivência humana, como o faz e fez Bolsonaro outro dia mesmo ao dizer que “alguns vão morrer? Vão, ué, lamento. Essa é a vida”. Ou seja, o diretor-geral ressaltou que