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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A onda agora é atacar a OMS

Vera Magalhães

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O movimento vinha tímido, mas crescente, nas redes bolsonaristas até ganhar um encorajador de peso: Donald Trump. As críticas do presidente dos Estados Unidos à atuação da Organização Mundial da Saúde deram novo fôlego aos ataques ao braço da ONU e ao seu diretor-presidente, o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus Foto: Denis Balibouse/Reuters

Trump ameaçou cortar recursos destinados à OMS em discurso nesta terça-feira, após apontar “viés” da organização pró-China na condução da pandemia do novo coronavírus. Ele disse que daria um “freio muito forte” aos recursos destinados à OMS, da qual os Estados Unidos são os principais financiadores.

No Brasil, as redes bolsonaristas já vinham há semanas questionando as recomendações da organização e o currículo de Adhanom para comandá-la. O fato de não ser médico, apesar de ser um acadêmico com doutorado em saúde pública, foi a principal arma usada na desqualificação do dirigente e da entidade.

A campanha anti-OMS tem o condão de confundir quanto a que orientações seguir no curso da pandemia. A organização tem sido defensora enfática da importância do distanciamento social e, em maior grau, do lockdown, como meios para achatar a curva de propagação do coronavírus e permitir que os países não vejam seus sistemas de saúde entrarem em colapso.

Trump, no início, foi refratário a essa recomendação, mas aos poucos cedeu a ela diante da escalada de casos nos Estados Unidos. Nesta terça, pela primeira vez morreram mais de 2.000 pessoas num só dia nos EUA. A impaciência demonstrada pelo presidente norte-americano agora reflete a ansiedade diante do impacto da crise da covid-19 nas eleições deste ano.