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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A Opinião do Estadão: Incertezas entre as fronteiras

Equipe BR Político

“Na noite de 7 de junho, último dia útil antes do prazo imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, ao México para que reduzisse o fluxo de imigrantes ilegais, sob pena de sofrer tarifações gradativas, os dois países anunciaram um compromisso que suspendeu a sanção. Apesar do alívio geral e de ambas as partes terem celebrado o acordo como uma vitória, ele deixa boa dose de incertezas no ar. Primeiro, porque os termos são um tanto nebulosos: numa coletiva de imprensa, Trump brandiu um papel que conteria as condições acordadas, mas não o publicou. Além do que foi anunciado, a imprensa teve de inferir o resto pelas fotos tiradas na hora. Depois, pela real efetividade desse pacto em relação ao foco da crise: a evasão migratória da América Central. Finalmente, pelo modo como foi obtido: Trump lançou mão de seus métodos mais questionáveis como empresário para negociar questões de Estado, chantageando sua contraparte com sanções comerciais para obter resultados não comerciais, o que abre um precedente inquietante.

O temor é de que Trump se sinta encorajado a utilizar o expediente em mais ocasiões. “Ele tem experiência em capturar a atenção das pessoas com algo que elas não estão esperando ou com uma reversão da última coisa que ouviram, gerando uma manchete com um tweet”, disse Gwenda Blair, sua biógrafa. “Ele segue o adágio: ‘Se você quer uma multidão, comece uma briga’”, diz trecho de editorial do Estadão desta sexta-feira, 14.

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