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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A Opinião do Estadão: O novo orçamento familiar

Equipe BR Político

“Em dez anos, as famílias brasileiras passaram a gastar mais com transporte do que com alimentação. Entre 2008 e 2009, as despesas com alimentação correspondiam a 19,8% dos gastos totais das famílias e as com transporte, a 19,6%; entre 2017 e 2018, o peso do transporte nos gastos familiares superou o da alimentação (18,1% contra 17,5%) pela primeira vez na série histórica da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa mudança, detectada pela POF 2017-2018, é reveladora de outra transformação ocorrida na renda da população. Ela aumentou e, à medida que a renda aumenta, a despesa com alimentação consome fatia menor do rendimento. “Se você ganhar o dobro vai gastar o dobro com alimentação?”, pergunta o analista do IBGE Leonardo Vieira. “Não, você vai gastar com outras coisas.” É possível que, com o aumento da renda, cresçam também as despesas com comida, mas não necessariamente na mesma velocidade, daí a redução do peso do item alimentação no orçamento familiar e o aumento de outros, entre os quais transporte”, diz trecho de editorial do Estadão desta quarta-feira, 9.