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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A ‘salvação da lavoura’ para ministros de pires na mão

Vera Magalhães

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Com a penúria orçamentária instalada na Esplanada dos Ministérios e a perspectiva de que ela se agrave em 2020, não apenas movimentos como o de revisão do teto de gastos, de que tratamos mais cedo aqui no BRP, começam a ganhar corpo, mas também ministros começam a buscar formas de chegar ao fim do ano sem colapso nas contas. Nessa tentativa algo desesperada, duas fontes de recursos ainda incertas viraram a salvação da lavoura nos discursos.

Vista geral da Esplanada dos Ministérios com luzes apagadas, medida anunciada pelo ministro Paulo Guedes para cortar gastos

Vista geral da Esplanada dos Ministérios com luzes apagadas, medida anunciada pelo ministro Paulo Guedes para cortar gastos Foto: Dida Sampaio/Estadão

Uma delas é o fundo da Petrobrás, um montante de R$ 2,5 bilhões resultante de acordo em que a Justiça dos Estados Unidos permitiu que a multa bilionária da estatal no país ficasse no Brasil. A destinação dos recursos cabe ao STF e está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, mas é um dinheiro com o qual várias pastas (MEC, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia) já estão “contando” para fazer frente a despesas que estão a descoberto.

Da mesma maneira, a ideia do Ministério da Economia de pedir uma antecipação de dividendos de estatais para conseguir cumprir a meta fiscal do ano (que é de um déficit astronômico, de R$ 139 bilhões), começa a ser vista como ministros como chance de destrancar o cofre. O astronauta Marcos Pontes, titular da pasta de Ciência e Tecnologia, fala nessa fonte para tentar pagar pesquisas e bolsas que serão interrompidas. Nos dois casos, a prática equivale a contar com o ovo ainda no interior da galinha.