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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A teoria das baratas e o risco civilizatório

Vera Magalhães

A declaração de Jair Bolsonaro em entrevista nesta segunda-feira, de que, caso aprovado o excludente de ilicitude, criminosos passarão a morrer como “baratas”, como se isso fosse algo a ser enaltecido, é abordada por Ranier Bragon em sua coluna na Folha nesta terça-feira. Para ele, a “teoria das baratas” estreita a diferença entre civilização e barbárie. “É compreensível a alguém que se depare com um crime atroz ter ganas mortais contra o agressor. Jamais o Estado, sob pena de se igualar aos facínoras. Ao puni-lo de acordo com a lei, demonstra a superioridade e a evolução da civilização através dos séculos”, escreve.

Para ele, a fala de Bolsonaro dá guarida a uma parcela da população que defende execução pura e simples de criminosos. “É de pensamentos assim que surgiram as milícias, os esquadrões da morte —grupos elogiados por Bolsonaro em sua carreira— e toda sorte de quadrilhas armadas e fardadas a serviço de nada mais nada menos que ela mesmo, a bandidagem.”