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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘A última coisa que o PCC tem medo é do PSDB’, diz França

Alexandra Martins

O candidato do PSB à Prefeitura de São Paulo, Marcio França, afirmou nesta quarta, 14, não ser verdade que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) tenha expulsado candidatos do PSDB na Baixada Santista, conforme denunciado por alguns candidatos tucanos em Santos, no último fim de semana. “Primeiro não é verdade. Houve um comunicado que saiu entre aspas do PCC alertando que as pessoas do PSDB não podiam fazer campanha. Imagine que o PSDB, que deixou o PCC crescer a vida inteira, vai ser proibido de entrar. A última coisa que o PCC tem medo é do PSDB. Eles (tucanos) são o cúmulo da fragilidade. João Doria é o cúmulo da fragilidade em relação a essas pessoas”, disse o ex-governador paulista em entrevista ao BRP ao ser questionado sobre propostas para as comunidades carentes da Capital.

O candidato do PSB à Prefeitura de São Paulo, Márcio França em entrevista ao BRP

O candidato do PSB à Prefeitura de São Paulo, Márcio França em entrevista ao BRP Foto: BRP

França afirmou que irá criar um programa de geração de emprego para os jovens dessa classe social. “É assim que a gente enfrenta o PCC: estrangulando a fonte de energia deles que é a juventude”, disse. Sua iniciativa, caso eleito, será recrutar jovens com 18 anos dispensados do alistamento militar, incluindo mulheres, para “trabalhar conosco”, oferecendo uniforme, cesta básica, vale-transporte e curso profissionalizante. O ex-governador afirmou que sua gestão como prefeito de São Vicente (SP) diminuiu a criminalidade em 90% na região. “Morriam de 15 a 20 rapazes de 18 anos por ano em conflitos com a polícia e, durante vários aos. não morreu nenhum”, afirmou.

Questionado sobre a aproximação com o presidente Jair Bolsonaro nos últimos meses, especialmente durante cerimônia de promoção da construção de uma ponte em São Vicente, França não negou a aproximação, mas a classificou como não ideológica, bem como reiterou que sua presença no evento foi um ato de agradecimento pelas ações humanitárias do governo federal com o povo libanês, do qual sua mulher é parte. Criticou a intenção da “elite intelectual” de rotular as pessoas, disse que está no mesmo partido há quase 40 anos, que já foi próximo do PT, do ex-presidente Lula e do ex-governador Mario Covas (PSDB), que seu espectro político é mais próximo da esquerda, mas que não é uma pessoa “radical” e que convive “com todo mundo”. “É natural que Boulos e outros candidatos tirem uma casquinha nesse assunto. Eles querem mais lacrar do que ganhar. Toda essa engenharia da política brasileira está montada em cima de um futuro, de que Bolsonaro deve ter uma vaga no segundo turno e esse grupo quer uma moleza para o Bruno Covas no segundo turno”, disse.

França também falou de sua relação com Celso Russomanno (Republicanos) ao ser questionado se estaria poupando o adversário na campanha. Disse que não existe animosidade entre ele e o candidato, que lidera as pesquisas eleitorais e com quem conviveu em Brasília. “Quem achar que o modelo Crivella de governar, misturando a igreja, dá certo, tem que votar nele (Russomanno). Ele é o mais famoso de todos nós”, afirmou. Lembrou que Russomanno disputou várias eleições e perdeu todas, mas que “tem méritos”. Sobre o fato de o adversário ter dito que morador de rua é mais resistente ao contágio da covid-19 porque não toma banho, França foi clemente. “Claro que ele foi mal-entendido, mas ficou ruim. Acho que ele podia retificar. Tenho certeza que ele não pensa dessa maneira”, completou.

O candidato apoiado por Bolsonaro não é visto como um risco pelo candidato do PSB ao seu projeto de ir ao segundo turno. França aposta em uma polarização semelhante à de 2018, quando disputou o governo do Estado com Doria e, apesar de perder no segundo turno, obteve a maioria dos votos da Capital. “Eles estão fazendo um patrocínio enorme para criar uma alternativa mais fácil para a eleição do segundo turno, mas não vão conseguir. Vamos acabar indo para o segundo turno de novo e fazer aquela disputa de 40 contra 45 que já ganhamos aqui em São Paulo.”

Sobre a obra do Vale do Anhangabaú, criticada por diversos candidatos pelo custo de quase R$ 100 milhões, França disse não acha que seja uma obra “absolutamente desnecessária”. “É que ela é inapropriada para o tempo. Num momento mais grave econômico que estamos vivendo haveria outras prioridades. Com 30 mil pessoas morando em barracas de camping pela cidade parece uma coisa meio Polianna fazer uma fonte de R$ 100 milhões no Anhangabaú”, disse. O seu plano para o centro de São Paulo inclui a compra de imóveis abandonados pela iniciativa privada para que, depois de reformados, sejam vendidos de volta à Prefeitura para moradia popular.

Para bancar o seu “Plano Márcio”, uma das principais apostas do plano de governo do candidato baseada, segundo ele, no Plano Marshall dos Estados Unidos aos países europeus depois da Segunda Guerra, França disse que fará um corte de “99%” dos cargos comissionados na Prefeitura. O restante será financiado com o que disse ser uma sobra na conta de organizações sociais de convênios passados que, segundo ele, a Prefeitura não recolheu de volta.

 

 

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