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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: ‘A vice importa’ e o dilema de Biden

Equipe BR Político

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Por Maurício Moura*

Foi incrível. Inúmeras manifestações se espalharam pelos Estados Unidos de forma intensa e pacífica (foram registrados protestos em 75 cidades). Os americanos saíram às ruas de maneira histórica. O estopim foi a morte de George Floyd, um americano negro, de 46 anos, sufocado por um policial branco que se ajoelhou sobre seu pescoço por mais de 8 minutos. O tema central foi o racismo estrutural e a violência policial. O que vi em Washington foi uma manifestação plural e muito jovem. Também testemunhei um ato de ousadia da prefeita de DC, Muriel Bowser, que renomeou uma rua em frente a Casa Branca para “Black Lives Matter Boulevard” (Boulevard Vidas negras importam). Mas como isso afeta a corrida presidencial americana?

Do lado do presidente Donald Trump os dados de curto prazo não são animadores. As primeiras pesquisas mostraram uma queda de aproximadamente 5 (cinco) pontos porcentuais em sua popularidade. O patamar de aprovação de Trump costumava variar entre 45 e 50 por cento do eleitorado. Uma pesquisa do Instituto Gallup após manifestação apontou que sua popularidade caiu para 39%. Um nível perigoso para seu projeto eleitoral.

Enquanto isso, o candidato democrata Joe Biden segue liderando as pesquisas nacionais (o que importa pouco porque as eleições americanas são decididas no colégio eleitoral – não custa lembrar que Hillary Clinton venceu no voto popular, mas perdeu a eleição) e melhorou seus índices em estados-chave para novembro como Ohio, Flórida e Michigan.

Por outro lado, a campanha de Biden pós-manifestações está diante de uma importante decisão: a escolha da candidata (Biden já declarou que será uma mulher) a vice. O significado da morte de George Floyd coloca uma pressão enorme da campanha em escolher uma vice afro-americana. O que seguramente carregaria uma enorme carga de simbolismo histórico. Alguns nomes aparecem fortes como o da senadora pela Califórnia, Kamala Harris, ou a política da Geórgia Stacey Abrams (que quase foi eleita governadora de seu estado).

Todavia, os estrategistas democratas sabem que o caminho da vitória passa pelos estados do Meio Oeste. Ali a derrota de Hillary Clinton se materializou. Escolher uma vice que tenha bom desempenho de votos nessa região pode ser decisivo em uma eleição apertada. Nesse contexto, a atual governadora do Michigan Gretchen Whitmer e a senadora por Minnesota Amy Klobuchar seriam opções eleitoralmente estratégicas. Ambas venceram eleições em distritos em que Trump saiu vitorioso em 2016.

A decisão está próxima. Não é uma escolha trivial. Muitos dirão que vice não ganha eleição. Alguns estudos de ciência política comprovam essa hipótese. Porém, vices ajudam a perder eleições (muitos se lembram da contribuição negativa de Sarah Palin na reta final da campanha de 2008). O fato é que para Biden diante de uma campanha cheia de incertezas, a escolha da vice importa. E muito.

*É economista, PhD em economia e política do setor público e professor visitante na George Washington University. Recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. É fundador e presidente do IDEIA Big Data.

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