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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Abraleite já prevê queda de vendas com fim do auxílio emergencial

Júlia Vieira

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Apesar de estar no centro da discussão, o arroz não foi o único alimento da cesta básica a sofrer um brusco aumento de preço em meio à pandemia do novo coronavírus. O valor do óleo de soja e do leite também dispararam nos últimos dias no Brasil. A preocupação da Abraleite é de que o fim do pagamento do auxílio emergencial impacte nas vendas internas do produto a partir de janeiro. “Temos uma preocupação, principalmente a partir de janeiro, de que sofreremos mais os efeitos da queda na economia decorrente do término das ajudas emergenciais e às perdas de emprego e renda, que poderão gerar recessão e consequente diminuição de consumo”, afirmou Geraldo Borges, presidente da associação.

Foto: Nilton Fukuda/Agência Estado

O leite registrou uma alta de 24,23% em agosto e, no acumulado de 2020, 27,78%, mostra o levamento da Associação Paulista de Supermercados (APAS). Segundo Borges, os produtores de leite no Brasil estão pagando mais caro pelos insumos, como grãos usados na alimentação do gado, por conta do valor do dólar. Ele diz que a subida foi de 20% a mais do valor do leite.

“Há que também se considerar que a arroba de bovinos alta estimula o abate de matrizes, que, juntamente com a insegurança que temos em decorrência do câmbio e da provável diminuição de renda, faz os produtores de leite retirarem o pé do acelerador”, acrescenta Borges. Com isso, segundo ele, há queda na produção de leite no País.

O fundador do MST, João Pedro Stédile, tem outra versão dos fatos. Segundo o economista, a alta do preço do leite se dá pelo controle exercido por um monopólio de estoque e comércio do produto, nas mãos de umas 4 ou 5 empresas, e pela redução das áreas de pastagem de gado leiteiro para dar lugar ao lucrativo mercado de commodities.

“O preço do leite no Brasil, historicamente, é controlado por 4 ou 5 grandes empresas, de maneira que as nossas cooperativas, mesmo comercializando leite, elas se obrigam a seguir o preço determinado pelo mercado, que não é mercado, são essas 5 empresas. No caso do gado de leite, há uma espada sobre os pequenos agricultores. O governo baixou uma nova norma sanitária que pode tirar do mercado ao redor de 1 milhão de pequenos agricultores familiares que produzem até 50 litros por dia. Eles estão impondo falsas condições sanitárias que, na verdade, vão impulsionar uma maior concentração na produção de leite”, apontou o sindicalista na semana passada.

A alta nos insumos deve impactar toda a produção de proteína animal, como o leite, a carne e os ovos. A APAS mostra que o maior aumento de agosto ficou nos suínos (5,56%), seguido das aves (3,28%) e bovinos (1,21%). O ovo, no entanto, teve uma queda de 2,61% no valor em agosto, mas o acumulado de 2020 teve um aumento de 7,45%.

Fonte: APAS/FIPE

Óleo

A limitação na oferta do óleo de soja nas gôndolas dos supermercados em algumas regiões do País é resultado da queda de demanda de bares e restaurantes, alega a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Segundo dados da APAS, o óleo de soja sofreu um aumento de 13% no mês de agosto e um acumulado que chega a 23,8%.

“O uso do produto por bares e restaurantes teve quebra brusca nos primeiros meses de pandemia, sendo necessário buscar outras formas de comercialização que resultaram na ampliação das exportações”, afirma a Abiove. O maior comprador é a China. O país asiático, que foi o primeiro a sair da pandemia, desde fevereiro, importa 73% do produto, de acordo com a APAS.

“A Abiove esclarece que a indústria processadora de soja está se esforçando para aumentar a produção e as entregas do óleo de cozinha, buscando garantir a oferta do produto durante esse período de pandemia”, diz a entidade em nota ao BRP. No entanto, o período é de entressafra de soja e a situação, assim como a do arroz, só deve se normalizar em janeiro com o início de uma nova safra. As fábricas também estão em fase de manutenção, atividade que não pôde ser realizada nos primeiros meses de pandemia, o que dificulta ainda mais a produção, acrescenta a associação.