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por Marcelo de Moraes

Abstenção em SP é maior acima de 65 anos e entre jovens, mostra TSE

Vera Magalhães

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O que até aqui era tratado como uma suposição lógica, devido à pandemia do novo coronavírus, foi transformado em dados pelo setor de estatística do Tribunal Superior Eleitoral: a taxa de abstenção no primeiro turno da eleição municipal foi bastante superior nas faixas de eleitorado acima de 65 anos.

Levantamento feito pelo TSE a pedido do BR Político nos dados de comparecimento de São Paulo e do Rio de Janeiro comprovam que o temor de contágio pelo novo coronavírus atingiu mais os eleitores mais velhos. Mas há outro dado, desta vez  contra-intuitivo: os jovens comparecem em menor percentual que os adultos da faixa entre 35 e 64 anos, sempre acima de 80% de comparecimento.

Na faixa de eleitores entre 65 e 69 anos cadastrados para votar em São Paulo, apenas 66,9% compareceram, o que resulta numa abstenção de 33,1% nesse eleitorado.

Entre eleitores de 70 a 74 anos, foram votar em 15 de novembro 96.960, ou apenas 33,14%, o que eleva a abstenção para 66,86%.

Os registros mostram ainda que foram votar 37.601 eleitores entre 75 e 79 anos cadastrados, ou 18,9% do total, com abstenção de 81,1%.

Essa taxa cresce paulatinamente para faixas acima de 80 anos para índices entre 89,94% de ausência até 99% entre os que têm mais de 100 anos (compareceram às urnas 20 pessoas centenárias).

Mas não fica claro se o alto número de eleitores idosos registrados foi submetido a algum recadastramento recente, que leve em conta os falecimentos. Ainda assim, são números oficiais da assessoria de estatística do TSE.

Entre as faixas de eleitores mais jovens, o comparecimento fica entre 71% e 72,85%  entre 17 anos e 34; vai de 74,77% a 77,41% nos eleitores de 39 a 44 anos e atinge o maior comparecimento nos eleitores de 45 a 64 anos, que têm taxa de assiduidade entre 80% e 82,4%.

Bruno Covas lidera nesse eleitorado acima de 35 anos, que compareceu em maior número em 15 de novembro. Já Guilherme Boulos predomina nas faixas que vão de 16 a 34 anos, aquelas que tiveram índice de comparecimento no primeiro turno em patamares abaixo de 80%.

Além disso, o eleitorado acima de 35 e até 54 anos corresponde à maior fatia da divisão demográfica, ou seja: são eles também o maior número absoluto de pessoas que foram às urnas em 15 de novembro.

Entre os muito jovens, o “entusiasmo democrático” fica com a faixa de “estreantes” de 16 anos, idade em que o voto não é obrigatório, assim como entre os idosos: foram às urnas no primeiro turno 80,93% dos jovens de 16 anos, que correspondem a um número absoluto baixo (52.243 pessoas).

Na estatística do TSE há 13.237 eleitores paulistanos que foram votar cujos dados de idade não são possíveis de comprovar no sistema (ou o cadastro está sem idade, ou há erro de cadastro). Nessa faixa sem dados disponíveis a abstenção também foi alta: de 60,82% dos nomes cadastrados.