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por Marcelo de Moraes

‘Acho boa a reaproximação, mas não acredito na sinceridade do Ciro’, diz Tatto

Alexandra Martins

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O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto, afirmou nesta sexta, 30, que considera positiva a reaproximação recente de Lula e Ciro Gomes, mas disse não acreditar na sinceridade do virtual presidenciável do PDT, em sabatina do Estadão. O ex-presidente recebeu o ex-governador do Ceará no Instituto Lula em setembro, quando falaram da disputa municipal em Fortaleza e da necessidade de uma união das forças progressistas para combater o bolsonarismo, segundo revelou O Globo.

Tatto foi questionado sobre a condição colocada pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, de que essa união depende de um pedido de desculpas de Ciro, que em 2018 se mandou para Paris no segundo turno e não declarou apoio ao então candidato à Presidência Fernando Haddad (PT).

Jilmar Tatto em ato dos servidores públicos no centro de SP. Foto: Filipe Araújo/PT

“Não acredito na sinceridade do Ciro neste momento. Eu preciso ouvi-lo. Ele é errático. E eu sou bastante cético a esses movimentos. Fiquei surpreso, confesso (com a reunião). Achei que tinha acontecido agora. Foi lá trás. Sei que há um esforço muito grande de se aproximar, tem essa preocupação de 2022, resgatar essa confiança mútua entre PDT e PT. Gostaria de estar mais animado em relação a essas intenções do Ciro. Gostaria que o Ciro viesse de vez e não viajasse para Paris nos momentos críticos no Brasil”, afirmou.

Diante da resposta, Tatto foi novamente questionado se ele não considera importante que o PT receba apoio do PDT, no momento em que o ex-presidente Lula encontra-se na posição de ficha-suja. “Mas eu acho bom, é que eu não acredito. Se isso for verdadeiro, acho bom. Não é via de mão única, tanto é que o Lula, principal líder do PT, recebeu o Ciro, quer coisa melhor que isso? Se isso for sincero, acho ótimo. Acho ótimo a esquerda se juntar, pensar em 2022. Eu sempre defendi que o PT faça alianças”, arrematou.

Ontem, pelo Twitter, Ciro escreveu que se sente “obrigado” a construir um “diálogo possível” com quem for possível para “proteger” o Brasil, sem citar o nome de Lula. A convergência entre PDT e PT para 2022 residiria na disposição de ambos discutirem alternativas de modelo econômico contra a atual crise socioeconômica e formas de proteção ao patrimônio nacional sem “entrega corrupta a barões locais e potências estrangeiras”.

“Ao redor desses valores, considero-me mais que autorizado, sinto-me obrigado a construir, no que estiver ao meu alcance, o diálogo possível com quem for necessário para proteger a nação brasileira”, disse o ex-ministro da Integração Nacional de Lula.

Veja a entrevista que Tatto deu ao BRP há três semanas aqui.

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