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por Marcelo de Moraes

Adversários unidos para cobrar Greca por ausência em debates: ‘Está fugindo’

Cassia Miranda

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Metade dos candidatos a prefeito de Curitiba se reuniu na quinta-feira, 29, em frente à prefeitura da capital paranaense para cobrar do chefe do Executivo municipal e candidato à reeleição, Rafael Greca (DEM), que participe dos debates realizados nestas eleições. Até aqui, o democrata esteve ausente de todos. O evento em praça pública foi convocado pelo deputado Fernando Francischini (PSL), ao meio-dia, para que, segundo o organizador, o prefeito pudesse “participar fora do horário do expediente”.

Candidatos em frente à prefeitura de Curitiba. Foto: Reprodução/Twitter Marisa Lobo

Esse é o segundo evento do tipo realizado pelos adversários de Greca. No último dia 20, também 8 dos 16 candidatos ao cargo de prefeito realizaram um debate na Praça da Espanha, em frente ao apartamento onde mora o prefeito, que não compareceu.

De acordo com pesquisa Ibope de 22 de outubro, Greca lidera a corrida eleitoral em Curitiba com 46% das intenções de votos. Na segunda posição há um empate entre Francischin e Goura (PDT). Cada um deles tem 8% das intenções de voto. A confortável vantagem do atual prefeito indica um dos motivos da escolha pela ausência em debates.

O petista Paulo Opuszka (PT) usou o encontro para falar aos servidores públicos, “que tiveram seu plano de carreira congelado pela atual gestão e sofreram com o pacotaço que atingiu suas aposentadorias”

Eloy Casagrande (Rede) afirmou que o atual prefeito “faltou à aula de cidadania” ao recusar-se a debater com seus adversários. Professor Mocellin (PV) foi na mesma linha. “Em qualquer lugar civilizado do mundo, quem está no poder não se recusa a debater com a oposição. Isso é democracia. Democracia não é imposição, é persuasão. Ele fala tanto que ama Curitiba, mas não tem a hombridade de debater os problemas e as propostas para a cidade”.

Ausente no primeiro evento na praça, o deputado Goura disse que não participou do evento anterior por estar em sessão plenária da Assembleia Legislativa. “Hoje, ao meio-dia de uma quinta-feira, estou aqui, comprometido com este debate, sem prejuízo às minhas responsabilidades como deputado. É importante estarmos aqui debatendo em espaço público as políticas para Curitiba, convidando o prefeito Rafael Greca para que venha conosco”, disse.

“Eu espero que ele tenha sensibilidade de entender que um processo democrático, como a eleição municipal é necessária a participação dele acima de tudo. Ele, como atual gestor precisa prestar contas da gestão que ele esteve a frente”, disse Camila Lanes, do PCdoB.

A candidata Professora Samara (PSTU) disse que, apesar de não serem questões diretamente relacionadas à administração municipal, queria ouvir a opinião de Greca em relação às escolas cívico-militares e à proposta de terceirização no SUS. “São decisões estaduais e federais, mas que afetam a cidade. E o prefeito tem que ter posição clara sobre isso”.

Já João Arruda (MDB) afirmou ter ouvido a justificativa para a ausência de Greca de que o debater serviria somente para atacá-lo. “Venha discutir propostas com a gente, Rafael, em clima republicano, cada um apresentando suas soluções para os problemas, ou mesmo para a melhoria da cidade. Politicamente, eu discordo em tudo do Francischini, e estamos aqui debatendo a cidade. É a democracia que está em jogo aqui hoje”, disse.

As falas, no entanto, não sensibilizaram o prefeito. Mais tarde,  em entrevista ao portal Ric Mais, Greca disse que “não sente vontade” de debater com quem “não tem conhecimento de causa” e negou que sua postura seja “arrogante”, em referência aos adversários, informou a Gazeta do Povo.

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