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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Afago de Bolsonaro a Temer mira o MDB

Vera Magalhães

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O mais novo afago feito por Jair Bolsonaro a Michel Temer mira também o partido do ex-presidente, o MDB. Depois de ter tentado de todas as formas se dissociar do governo interino de Temer na campanha e ter condenado a “velha política”, Bolsonaro tem conversado com o antecessor em bases regulares nos últimos meses, inclusive pedindo conselhos políticos.

O presidente da República Michel Temer entrega a chave simbólica do CCBB ao presidente eleito Jair Messias Bolsonaro.FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

O reconhecimento público de designá-lo chefe de missão ao Líbano é um passo a mais nessa aproximação, no exato momento em que o partido de Temer fechou uma aliança estratégica com Rodrigo Maia (DEM-RJ) na Câmara. Bolsonaro não quer deixar que o MDB se afaste demais da órbita do Planalto, antecipando outros compromissos para 2022.

Também não quer correr o risco de que, caso prospere a articulação de Maia e Baleia Rossi, atual presidente do MDB, seja eleito presidente da Câmara em fevereiro, ele seja tão hostil ao seu governo quanto o atual ocupante da cadeira foi em muitos momentos.

Isso porque caberá ao próximo comandante da Câmara a incumbência de decidir sobre pedidos de impeachment que Maia estrategicamente deixará na gaveta, sem analisar.

A proximidade com o MDB já tem alguns personagens de contato. Mesmo defenestrado do governo, o deputado Osmar Terra (RS) tem se mostrado um bolsonarista fiel. Da mesma forma, dois dos líderes de Bolsonaro no Congresso — Fernando Coelho e Eduardo Gomes — são emedebistas, num estranho arranjo em que representantes do governo integram um partido que não é oficialmente da base governista.

Com a camaradagem com Temer, Bolsonaro cerca o partido por mais um e importante flanco, na esperança de ampliar ainda mais a presença partidária na coalizão que tardia e atabalhoadamente vai tentando construir.

 

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