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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Afinal, Bolsonaro está afinado com o G-20?

Vera Magalhães

O chanceler Ernesto Araújo e, depois, Jair Bolsonaro, usaram as redes sociais para, desde sexta-feira, vender a narrativa segundo a qual a orientação do presidente brasileiro, de que a economia não deve parar durante a pandemia de novo coronavírus, estaria sintonizada com a adotada pela maioria das Nações do G20, o grupo das 20 nações mais ricas do mundo.

Araújo postou na sexta-feira que os países do G20 definiram que salvar empregos era tão importante quanto salvar vidas. Também fez postagens a respeito de quais países adotariam quarentenas mais restritivas, e foi desmentido por especialistas em relações internacionais.

O chanceler, então, voltou ao Twitter para acusar “desinformadores profissionais” de terem distorcido suas posições. “O post fala de “países” do G20 e não de “membros” do G20. A União Europeia é membro do G20 mas obviamente não é um país. Por outro lado, a Espanha, embora não seja membro oficial, sempre é convidada, e assim a incluí na contagem. Portanto se trata, efetivamente, de 20 países”, disse ele, num de uma série de posts.

No domingo, Bolsonaro postou vídeo no Palácio da Alvorada, já depois do seu passeio por cidades-satélites, para, lendo um papel, “resumir” o que seriam as orientações da cúpula do G-20 para a pandemia de covid-19.

Seu tuíte foi desmistificado ponto a ponto pelo professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas Guilherme Casarões.

Ele começa dizendo que todos os países do G20 adotaram medidas restritivas e a recomendação de as pessoas ficarem em casa. O especialista transcreve trecho da resolução do grupo para que sejam tomadas decisões “baseadas na ciência”. Também mostra que o G20 recomendou seguir todas as orientações da Organização Mundial da Saúde, e que o diretor-geral da Organização, Tedros Ghebreyesus, entrou na mira dos difamadores do bolsolavismo.

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