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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Agenda de Guedes no altar da radicalização

Vera Magalhães

Com a volta de Lula aos palanques, disposto a tocar fogo no País, como ficou claro neste sábado, a agenda de Paulo Guedes de reforma, que foi lançada justamente na semana em que o petista foi beneficiado pela decisão do STF sobre prisão após condenação em segunda instância, pode ser sacrificada no altar da radicalização.

Escrevi sobre o risco de retrocesso no processo reformista na minha coluna deste domingo no Estadão. Todo mundo sabe que a fé de Bolsonaro no credo liberal é nenhuma. O próprio Posto Ipiranga demonstra que vem aprendendo a entender as leis da política. Os ventos de 2018 levaram a uma conversão sem convicção do velho nacionalista corporativista do baixo clero aos fundamentos da Escola de Chicago.

Lula nas ruas representa o catalisador da insatisfação popular com uma agenda que pode facilmente ser traduzida nos palanques por supressão de direitos, como ele já começou a fazer. A força de Lula e sua capacidade de replicar aqui um sentimento de saudosismo com o populismo de esquerda que resgatou até Cristina Kirchner do limbo vão ditar a forma como seu antípoda, Bolsonaro, vai adaptar o liberalismo que prometeu aos novos ventos. Guedes pode ter aprendido muito de política, mas a entrada de Lula no cenário vai obrigá-lo a passar do estágio probatório ao PhD.