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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Agenda nacional do PSDB ataca o SUS: ‘Não há lugar para discursos ufanistas’

Equipe BR Político

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O PSDB divulgou nesta manhã de quarta, 26, nove propostas para uma agenda nacional com base nas discussões do Congresso Nacional do PSDB, de dezembro de 2019. Na área de saúde, a cargo do deputado federal Marcus Pestana (MG), o partido admite a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), mas diz que “é inevitável perceber retrocessos nos últimos anos diante da brutal recessão e do agravamento da crise fiscal”. Segundo os tucanos, “chegou o tempo da maturidade” para tratar o futuro do sistema. Não há menção sobre a centralidade do serviço público de saúde prestado neste período de pandemia do novo coronavírus à população.

Sistema Único de Saúde Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Para eles, “não há lugar para discurso ufanista”. Por isso, entre as propostas está a promoção da iniciativa privada na oferta do serviço básico e universal, propondo “erguer formas efetivas de cooperação com a saúde suplementar para ampliação do acesso, inclusive com nova regulamentação de seu marco regulatório. Para o SUS, diante de suas limitações, é imprescindível que a saúde suplementar vá bem”.

A mensagem mais contundente diz: “Não há mais lugar para discursos ufanistas. As mazelas presentes no dia a dia dos usuários do SUS saltam aos olhos. Diante disso, a pior atitude é a inércia ou o refúgio em fundamentalismos sem base real. Estancar os retrocessos e ter ousadia para mudar o que é preciso mudar, arquivando dogmas e enfrentando com coragem as novas perguntas que a realidade coloca diante de nós, é o caminho escolhido pelo PSDB”.

Como diz a professora de Economia da USP, Leda Paulani, “quem estudou um pouquinho só de economia da saúde sabe que a saúde mais barata para um país é aquela concentrada em medicina básica e um dos elementos dessa medicina é a prevenção e controle de doenças crônicas”, mas sobre o impacto da prevenção de doenças sobre a economia não há qualquer ênfase no documento.

Pelo Twitter, o partido contesta versão de que há “ataque” ao SUS: “O documento do PSDB, concluído antes da pandemia, não ataca o SUS, ao contrário. Apenas afirma que o sistema público de saúde tem sido fortemente prejudicado pela crise fiscal. O SUS tem sido fundamental à sociedade brasileira há décadas, o que ficou claro no período de pandemia.”

Estranha, pois, o fato de uma “agenda nacional” não citar pandemia do novo coronavírus, o que a torna caduca no momento em que é lançada.

O capítulo de Pestana sobre saúde está na página 25. Confira:

 

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