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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Agronegócio preocupado com política ambiental

Equipe BR Político

A preocupação com a imagem do Brasil nos exterior por causa da política ambiental defendida pelo governo não ronda apenas as ONGs e defensores do meio ambiente. O agronegócio também vê riscos de ser afetado. As principais angústias do setor estão relacionadas com a alta do desmatamento e os ataques do presidente Jair Bolsonaro à Europa, de acordo com o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Marcello Brito, que também é CEO da Agropalma. Na avaliação dele, o agronegócio não precisa avançar sobre as terras indígenas. Ele também não vê as ONGs como inimigo, mas sim, como um “player da economia”. Segundo Brito, a preservação custa – e os produtores deveriam ser remunerados por isso -, pois “a riqueza bioeconômica da Amazônia é incalculável”, disse em entrevista ao Valor durante a Semana do Clima, em Salvador, a mesma em que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi fortemente vaiado.

Na avaliação de Brito, é questão de tempo para que os europeus deixem de comprar do Brasil. “Não podemos transformar o presidente da República. O que podemos fazer, o nosso setor, é trabalhar, de forma uníssona para tentar reverter, o máximo possível, os danos”, diz. Sobre a cruzada de Bolsonaro contra a demarcação de terras indígenas, Brito se diz “frontalmente” contrário à posição do governo. “Não precisa (avançar sobre terras indígenas) e discordo frontalmente. Temos terra demais. Porque precisamos entrar lá? O que ganhamos com este discurso? Se tiver minério suficiente ali e de alta qualidade que beneficie o Brasil, ótimo. Já faz parte da Constituição brasileira. É só ter um projeto benfeito e o Congresso aprová-lo”, avaliou.