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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Agronegócio quer pacto econômico para retomada pós-coronavírus

Marcelo de Moraes

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Com a economia já sofrendo o violento impacto do coronavírus sobre suas atividades, já existe preocupação com o que será preciso fazer para recuperar esse prejuízo. Para o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB-RS), o ideal é que se defina imediatamente um Pacto Nacional pelo Desenvolvimento, que comece a discutir e aprovar, desde já, os projetos que poderão garantir a recuperação da economia no menor tempo possível.

Café da manhã com a Bancada da Frente Parlamentar da Agropecuária em fevereiro

Café da manhã com a Bancada da Frente Parlamentar da Agropecuária em fevereiro Foto: Marcos Corrêa/PR

“Tem de sair da crise com o pé no acelerador. O que for possível fazer agora, vamos fazer. Deixar pronto. Nós não podemos é agir assim: terminou o coronavírus. Agora, vamos pensar como fazer. Não. Você precisa ter inteligência estratégica. Um plano estratégico. Um projeto para fazer um pacto nacional pelo desenvolvimento. Qual é o pacto nacional? O Paulo Guedes, junto com a Tereza Cristina, junto com o Tarcísio de Freitas, junto com o Rogério Marinho, vou pegar esses quatro ministros, que podem chamar os líderes de dez partidos da Câmara e do Senado. A Câmara e o Senado não têm dez partidos bolsonaristas, mas têm dez partidos que fazem consenso sobre o Brasil que dá certo. Então, busca um pacto nacional daquilo que o Legislativo precisa fazer, do que o Executivo precisa fazer, conversa com o Judiciário para que ele tenha condução nesse processo e o Brasil pode recuperar o tempo perdido rapidamente”, disse Alceu para o BRP.

“Há uma crise instalada. Vamos ter prejuízos gigantes. O que precisa saber é o seguinte: quando voltar a funcionalidade do País, ele não pode voltar na normalidade. Ele tem de sublimar alguns feriados, vai ter de acabar com férias, com recessos e funcionar com muito mais dinâmica e rapidez do que está agora”, explica.

“A saída da crise precisa que o Congresso aprove rapidamente a reforma tributária, a reforma administrativa e o pacto federativo. Leis como a de conectividade. Esse País vai sair dessa crise muito mais digital do que é hoje. Portanto, a conectividade precisa estar com essas ferramentas na mão de todas as pessoas do Brasil o mais rápido possível. É importantíssimo para fazermos a reabilitação da economia. Leis como a do licenciamento ambiental. Então, parte do Congresso tem um conjunto de lei que são disruptivas, que aprovando, o Brasil vai andar com muito maior rapidez e com menor custo”, avalia.

“E parte do governo tem recursos que estão para ser aprovados e não foram. Se você mudar a outorga do petróleo, por exemplo, vai conseguir botar de volta na caixa do governo algo em torno de R$ 200 bilhões. Isso é possível? Não sei se é possível. Se é possível, vai ter de mobilizar”, diz.

Alceu também cita que há outras fontes importantes de futuros recursos como as oriundas do processo de privatizações.

“Isso pode vir das privatizações, que estão acontecendo de maneira lenta. Se tem de privatizar para colocar dinheiro para dentro, isso tem de acontecer rapidamente. Tem mais de R$ 200 bilhões de fundos parados. Eles têm de voltar para mobilizar a economia. Se com o rombo da economia, de R$ 500, 600, 700 bilhões, não sei qual é o número, na saída da crise, se conseguimos remobilizar, por entrada de capital de outras origens e pelos fundos, em torno de R$ 300 bilhões, 400 bilhões, nós imediatamente mostramos para o mundo que reorganizamos rapidamente a nossa economia. Aumentamos nossa dinâmica de produção e produtividade e reduzimos o impacto do tamanho da dívida”, calcula. “Isso tem impacto direto no dólar e também na subida dos papéis. Cabe a nós, agora perceber o seguinte: não dá para ficar com essas férias forçadas o tempo todo e quando voltar querer voltar tudo de novo, naquela lentidão que estávamos antes. Isso é impossível”, afirma.

Alceu Moreira garante que, neste momento, não existe risco de desabastecimento de produtos do agronegócio por causa do coronavírus.

“Nós não temos hoje nenhuma possibilidade de ter problema de abastecimento. Se uma produção fechar, outra vai produzir mais quantidade para suprir isso. O sistema de transporte está andando normalmente, tem problema pontual, aqui ou ali. O sistema portuário funciona normalmente. Todos os instrumentos possíveis para poder agir na anormalidade estão disponíveis. E serão utilizados. Por enquanto, nós não temos nenhum risco de desabastecimento e nem de fornecimento de produtos para exportação”, disse.