Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ainda a fala de Guedes

Equipe BR Político

Ainda ecoa nas análises de jornais a fala de Paulo Guedes de que não seria surpresa se alguém voltasse a falar em novo AI-5 caso haja no Brasil manifestações como as que acontecem no Chile, por exemplo.

Na Folha desta quinta-feira, três colunistas abordam o tema. O cientista político Fernando Schuler, que concorda com as ideias de Guedes na economia, diz que a mistura de ideias que Guedes fez “não faz sentido” e serviu de base para alimentar a nossa “algazarra digital”. “Há menções desse tipo todos os dias, aos milhares, nas redes sociais. Mas elas não podem vir de quem ocupa posições de Estado”, escreveu. Ele defendeu que o liberalismo é incompatível com a defesa desse tipo de ideia.

O colunista Roberto Dias classificou Guedes como um “vouyer do AI-5“. “Seu fetiche com o AI-5 seria bizarro mesmo se fosse possível observá-lo sem a lente moral”, escreve. “Guedes, ao contrário de Delfim, faz parte de um governo que foi eleito democraticamente. Tal como Delfim dizia estar, Guedes poderia se afirmar sempre à espera de democracia. Prefere, porém, falar sobre AI-5. Em vez de se assanhar com fantasmas, faria bem em espiar um livro de história.”

O ex-secretário de Educação de São Paulo Alexandre Schneider escreve que “a defesa da restrição de direitos e a apologia à ditadura estão se transformando em práticas corriqueiras na Esplanada”. “A lista é longa. Contribui para corroer ainda mais a confiança nas instituições democráticas e a ideologizar questões que não são “de direita” ou “esquerda”, como é o caso da defesa de uma escola pública laica, do uso sustentável dos nossos recursos naturais, de políticas de segurança baseadas em evidências consagradas, como a de que armar a população só aumenta a violência”, enumera.