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por Marcelo de Moraes

Alvos de operação reagem com ataques ao STF

Equipe BR Político

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Os políticos e apoiadores bolsonaristas que foram alvo dos mandados de busca e apreensão da Polícia Federal no inquérito das fake news na manhã desta quarta-feira, 27, protestaram nas redes sociais contra ministros do STF, como Alexandre de Moraes, que autorizou as diligências policiais. Os filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro, que não foram alvos da operação, também questionaram a ação.

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, que foi um dos alvos dos mandados da PF

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, que foi um dos alvos dos mandados da PF Foto: JF Diorio/Estadão

Um dos alvos das buscas, o deputado Douglas Garcia (PSL-SP) afirmou que o inquérito investiga “críticas” ao STF e disse em vídeo que “esse nível de investigação apequena, infelizmente, a Polícia Federal, porque o Supremo está utilizando do seu poder para perseguir aqueles que são conservadores, aqueles que têm liberdade de expressão.” O inquérito não apura críticas, mas uma suposta rede de patrocínio e disseminação de fake news e ameaças aos ministros do Supremo.

A ativista bolsonarista Sara Winter, que lidera o movimento “Brasil 300” em apoio ao presidente, falou em “ditadura do Judiciário” nas redes. “A Polícia Federal acaba de sair da minha casa. Bateram aqui às 6h da manhã a mando do Alexandre de Moraes. Levaram meu celular e notebook. Estou praticamente incomunicável! Moraes, seu covarde, você não vai me calar!!”, escreveu em um primeiro tweet. Depois, Winter, que já integrou o gabinete da ministra Damares Alves, publicou a seguinte frase: “Todos os membros da SS Nazista estavam apenas cumprindo ordem e seguindo a lei (@allantercalivre)”.

O blogueiro Allan dos Santos, dono do site bolsonarista Terça Livre, que também foi alvo da operação, desferiu mais críticas ao STF e ao ministro Moraes, que relata o inquérito. “A instituição STF sofreu, hoje, seu maior ataque. Sozinho, @alexandre desmoralizou toda a Suprema Corte. Ou os ministros do STF param Alexandre, ou apenas o Art. 142 pode pará-los. A República não precisa dos militares, basta usar o bom senso”, escreveu.

O empresário bolsonarista Luciano Hang, dono da rede Havan, foi mais ameno. Depois de publicar frases de tom motivacional pela manhã, postou um vídeo em que nega ter disseminado notícias falsas contra o Supremo. “Hoje, na minha casa e no meu escritório, levaram o meu celular e o meu computador pessoal para ver se eu tinha feito alguma coisa conta o STF, fake news contra a Corte. Jamais. STF, Poder Executivo, Legislativo, são Poderes que exercem a sua liberdade de expressão. Jamais atentei ou fiz fake news contra o STF”, disse.

Ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, que delatou o mensalão e foi condenado e preso pela participação no esquema, deu entrevistas a canais de televisão nesta manhã contestando as ações e adotou tom combativo nas redes sociais. O político que passou a apoiar o presidente Jair Bolsonaro na últimas semanas, entre suas publicações, fez uma comparação da operação de hoje à atuação de tribunal contra “adversários do nazismo”. “TRIBUNAL DO REICH. Instituído por Hitler, após o incêndio do Parlamento, aquele tribunal escreveu as páginas mais negras da justiça alemã, perseguindo os adversários do nazismo. Hoje o STF, no Brasil, repete aquela horripilante história. Acordei às 6 horas com a PF em meu lar”, escreveu no Twitter.