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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Recusa um fundo, aceita outro

Equipe BR Político

Depois de o governo brasileiro menosprezar o Fundo Amazônia, que era bancado principalmente por Noruega e Alemanha, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse agora que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) criará um novo fundo de investimentos para a floresta. O anúncio foi feito na quinta-feira, 20, após Salles se reunir em Washington com o presidente do banco, Luis Alberto Moreno.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Foto: Adriano Machado/Reuters

De acordo com o Estadão, o ministro afirmou que a estrutura ainda está sendo montada, “mas é um fundo que contempla países e setor privado tanto na ponta de doação quanto do recebimento dos investimentos, para desenvolvimento, para pesquisa, para desenvolvimento de atividades”. Ele não deu detalhes sobre quais países da região contribuirão com o dinheiro e quais serão os valores investidos. Disse apenas que a medida tem um “potencial muito grande”.

Segundo ministro, os valores serão “bastante significativos”, no entanto, ele disse que ainda não há cifras. Dentro do BID, havia a discussão sobre a possibilidade de utilizar um fundo já existente para o apoio à região, mas a opção feita durante a reunião com Salles foi para a criação de um novo fundo.

A agenda de Salles nos EUA às vésperas da Assembleia-Geral da ONU e da Cúpula do Clima para negociar investimentos e parcerias para a região amazônica faz parte de uma tentativa de tranquilizar a comunidade internacional sobre a situação das queimadas na Amazônia. Ao “fechar negócio” pró-Amazônia com o banco norte-americano, fica no ar a dúvida de se a “defesa da soberania brasileira” é seletiva, e se ela cairá por terra na relação com os EUA.

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