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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ancine mais conservadora e mais pobre

Alexandra Martins

Aos trancos e barrancos, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) sobrevive até aqui no atual governo, a despeito de o presidente Jair Bolsonaro ter pretendido extingui-la, mas doravante será com menos recursos e sob direção conservadora. O Fundo Setorial do Audiovisual, fonte de fomento da agência, sofrerá corte de 43%, de R$ 723 mi para R$ 415 milhões, segundo proposta orçamentária do Executivo.

Sede da Agência Nacional de Cinema (Ancine), no Rio de Janeiro

Sede da Agência Nacional de Cinema (Ancine), no Rio de Janeiro. Foto: Wilton Junior/ Estadão

Já o perfil do futuro presidente terá de dançar conforme a música, como já propagado por Bolsonaro no final de agosto. “Esse governo é conservador nos costumes e liberal na economia. Então tem que ter um perfil, já estamos indicando uma pessoa para a Ancine, vai vagar uma diretoria agora em outubro e será indicada outra pessoa e vamos ver quem é o melhor nome pra isso”, disse o ministro Osmar Terra (Cidadania) nesta quinta, 12, no Rio.

Falta também escolher, com certa urgência, os integrantes do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual. As dotações orçamentárias ficam paradas até o coletivo ser formado. Não parado, mas devagar é o lançamento no Brasil do filme Marighella, que não será mais em novembro porque sua produtora, a O2, não conseguiu cumprir a tempo todos os trâmites exigidos pela Ancine. Um dos imbróglios é o não ressarcimento à empresa de R$ 1 milhão investido na produção.

Outra agonia vive o Festival do Rio, uma das principais vitrines do cinema nacional, que corre o risco de ser cancelado, informa o Estadão. Segundo os organizadores do evento, a causa tem a mesma raiz de tantas outras iniciativas culturais: suspensão do patrocínio da Petrobrás. O festival está atualmente em sua 20.ª edição.

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