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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Andrea, irmã de Aécio, é indiciada pela PF por obstrução de justiça

Equipe BR Político

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A Polícia Federal indiciou nesta quarta, 10, a irmã do deputado Aécio Neves (PSDB-MG), Andrea Neves, por obstrução de justiça no âmbito da Operação Escobar. Ela é apontada como beneficiária de informações privilegiadas sobre investigações ligadas a Aécio que teriam sido repassadas por integrantes da própria PF. Outras cinco pessoas também foram indiciadas: dois policiais federais, dois advogados e um empresário.

Na esquerda da foto, Andrea Neves

Na esquerda da foto, Andrea Neves Foto: Cristiane Mattos/Reuters

A Escobar foi desencadeada para apurar o vazamento de informações sigilosas levantadas pela PF. No relatório final da corporação, que indicia Andrea, a corporação informa que no dia 11 de dezembro de 2018, durante busca e apreensão dentro de outra operação, a Ross, foram encontradas na casa da irmã do deputado cópias de peças de inquéritos policiais que tramitam sob segredo de Justiça na Delegacia Especializada de Combate à Corrupção. Entre os documentos estava depoimento do empresário Joesley Batista.

A Operação Ross foi articulada para apurar suposto pagamento de propina do grupo J&F a Aécio entre 2007 e 2014. Conforme a corporação, as peças não haviam sido retiradas dos autos, mas, segundo as investigações, teriam sido retiradas diretamente do sistema operacional da Polícia Federal, informa o Estadão.

Defesa a cargo do advogado Fábio Tofic:

“A defesa de Andrea Neves manifesta a sua perplexidade com a finalização precipitada da investigação feita pela autoridade policial que contraria, inclusive, as provas obtidas no próprio inquérito. Andrea Neves foi chamada a prestar depoimento em julho do ano passado, tendo ficado acertado que prestaria seus esclarecimentos assim que, como determina a Lei, tivesse acesso à integralidade dos documentos relacionados à investigação. Essa nova intimação jamais ocorreu. As investigações demonstram que Andrea nunca solicitou qualquer documento a quem quer que seja e nunca teve contato com qualquer agente público. Os documentos que se encontravam em sua residência já tinham o seu conteúdo amplamente divulgado pela imprensa, sendo, portanto, estapafúrdia a hipótese de que poderiam ser usados para qualquer ato de obstrução de justiça. É preocupante que a autoridade policial faça uma ilação dessa gravidade sem apontar qualquer ato praticado por Andrea que pudesse ser interpretado como obstrução de justiça.

No mais, registre-se a ironia de que um inquérito instaurado para apurar vazamento tenha tido a sua conclusão vazada antes que as partes pudessem ter conhecimento de seu conteúdo”.