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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Anistia Internacional cobra governo por 13 mortes em ação policial no Rio

Equipe BR Político

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Organizações da sociedade civil pediram explicações ao governo do Rio e Ministério Público do Estado sobre uma operação policial que resultou em 13 mortes no Complexo do Alemão. Em nota, a Anistia Internacional, Justiça Global e o Coletivo Papo Reto criticaram a ação de apreensão de drogas e armas e uma segunda ação na segunda-feira, 18, que resultou na morte de um adolescente de 14 anos.

Protesto de moradores no Complexo do Alemão depois da operação na sexta, 15

Protesto de moradores no Complexo do Alemão depois da operação na sexta, 15 Foto: Ricardo Moraes/Reuters

“Qualquer operação policial deve seguir padrões de respeito à vida e à segurança das pessoas e, em meio a uma pandemia, quando todos os esforços deveriam estar voltados para garantir saúde e vida da população, o Estado do Rio de Janeiro se faz presente nas favelas do Estado levando violência e morte”, diz a nota. Na segunda, mortes causadas por policiais no Rio estiveram em evidência também na imprensa internacional. O jornal americano The New York Times deu destaque ao número recorde de assassinatos cometidos pela polícia no Rio no ano passado em uma matéria especial. 

A reportagem, intitulada Licença para matar – por dentro do ano recorde de assassinatos da polícia no Rio, destaca que o aumento das estatísticas ocorre em um Estado “com uma longa história de brutalidade policial e uma liderança política que prometeu ‘cavar covas’ para impedir o crime.”

Segundo a nota das organizações as operações recentes prejudicaram as medidas de proteção adotadas por moradores das regiões afetadas por terem ocorrido durante o período de isolamento social. “Exigimos que as polícias adotem os mesmos parâmetros de atuação em todos os territórios do Estado e das cidades e só realize operações quando tiverem a total garantia de que as vidas de todos e todas os moradores estejam protegidas.”

Após a repercussão das mortes, a Delegacia de Homicídios da Capital declarou em nota que investiga cinco mortes que ocorreram em confronto com policiais militares e civis durante a operação conjunta do Bope e da Delegacia Especializada em Armas e Explosivos (Desarme), além de outras cinco pessoas cujos corpos foram deixados na avenida Itaoca, uma das principais vias de acesso ao Alemão, uma morte na Fazendinha, uma das favelas do Complexo, e de outra pessoa que morreu na UPA do Alemão. A Corte Interamericana de Direitos Humanos, entretanto, cobra resposta posição mais proativa do MP-RJ em casos como esse e questiona a investigação pela própria força envolvida no incidente, no caso a Polícia Civil.