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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ano virou, mas segue a balbúrdia: Ernesto e Boff se atacam

Marcelo de Moraes

O ano mudou, mas, pelo visto, as polêmicas que marcaram o comportamento de integrantes do governo Bolsonaro vão continuar com toda a força. A confusão da vez é o bate-boca virtual entre o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o teólogo Leonardo Boff, envolvendo desde os riscos que um “mecanismo de esquerda” pode causar, passando pela “vergonha” que as intervenções do chanceler provocariam, e descambando para uma troca de acusações envolvendo a fé.

A confusão começou com uma postagem de Ano Novo feita por Ernesto contra a ameaça de um suposto “mecanismo esquerdista”. “Em 2020, é preciso continuar trabalhando contra o mecanismo esquerdista e não basta fazê-lo dentro do Brasil. Há que combater na frente externa, pois a esquerda sempre é transnacional. Lulopetismo+isentoleft são expressão de um projeto de poder global e globalista”, escreveu o ministro.

Teólogo da Libertação e ligado ao PT e aos movimentos de esquerda, Boff resolveu atacar a postagem do ministro. “Nunca a inteligência foi rebaixada com seu pensamento velhista e falso e o Brasil jamais passou tanta vergonha com suas intervenções sem nenhuma base séria, senão fruto de um preconceito anti-humano e anti-vida”.

Boff também não ficou sem resposta: “Veja só Leonardo Boff: Quando a sua teologia da libertação apareceu, mais de 90% dos brasileiros eram católicos. Hoje são só 50% e caindo. Os brasileiros – principalmente os pobres – rejeitaram o seu teomarxismo e correram para as igrejas evangélicas, onde podem louvar Jesus Cristo”, escreveu o ministro.

E Ernesto aumentou o peso das críticas: “Você e seus amigos, ao tentarem transformar a Igreja Católica em linha auxiliar do PT, perderam o povo. Mas não desistem. Tendo abandonado os pobres, agora tentam a ecologia como instrumento. Tentam de tudo. Não descansarão enquanto não tiverem conseguido destruir a Igreja. Enquanto católico, digo o seguinte: nunca o Catolicismo foi tão rebaixado quanto o é pelo seu pensamento apóstata e mentiroso e nunca passou tanta vergonha quanto passa com a sua bajulação de um sistema esquerdista corrupto”.

E, claro, Boff também pesou a mão na nova resposta. “O ministro pode ser católico e muito conservador, mas cristão não é. Pois um cristão não mente e calunia como faz. Não basta louvar Jesus nas igrejas. Isso nada vale se não cumprir a vontade do Pai que é amor, justiça,verdade e defesa dos pobres, esquecidos pelo governo”.