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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Antes de ir à ONU, Bolsonaro ataca Bachelet

Equipe BR Político

A menos de um mês de sua viagem à Assembleia Geral da ONU, o presidente Jair Bolsonaro resolveu atacar a alta comissária para direitos humanos da organização, Michelle Bachelet. As críticas ocorreram após a ex-presidente do Chile afirmar nesta quarta-feira, 4, que observa “uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos” no Brasil.

Michelle Bachelet, alta comissária de direitos humanos da ONU e ex-presidente do Chile, foi criticada por Jair Bolsonaro

Michelle Bachelet, alta comissária de direitos humanos da ONU e ex-presidente do Chile. Foto: Denis Balibouse/Reuters

Bolsonaro não perdeu tempo e publicou um tuíte comparando Bachelet com o presidente francês, Emmanuel Macron, por “se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira”. O texto é acompanhado de uma foto de Bachelet com a ex-presidente Dilma Rousseff e com a ex-presidente argentina Cristina Kirchner.

Não satisfeito, Bolsonaro, no Facebook, estendeu as críticas ao pai da ex-presidente chilena, Alberto Bachelet, que foi torturado e morto pela ditadura de Augusto Pinochet. “Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à epoca”, escreveu o chefe do Executivo.

A data citada por Bolsonaro, 1973, foi o ano do golpe militar no Chile, que instalou o regime de Pinochet. A ditadura durou 17 anos e é lembrada por ser uma das mais sanguinárias da América Latina.

– Michelle Bachelet, Comissária dos Direitos Humanos da ONU, seguindo a linha do Macron em se intrometer nos assuntos…

Publicado por Jair Messias Bolsonaro em Quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Em julho, Bolsonaro deu uma declaração parecida a respeito do pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, que, segundo a Comissão da Verdade, foi morto pela ditadura brasileira. Após desentendimentos com o advogado, Bolsonaro afirmou que, se Santa Cruz quisesse saber como seu pai morreu, ele poderia lhe contar.

Quem também entrou na onda foi ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. No Twitter, o chanceler afirmou que Bachelet está “muito mal informada”. “O que está encolhendo é o espaço da esquerda. Talvez seja isso o que no fundo a preocupa”, escreveu.