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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Antes desconfiado, Lira agora sorri ao lado de Bolsonaro

Gustavo Zucchi

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Começou a circular na noite de quarta-feira, 22, um vídeo que até pouco tempo atrás ganharia a alcunha de “fake news” caso fosse especulado. O deputado Arthur Lira (PP-AL), um dos principais líderes do Centrão, amigavelmente ao lado de Jair Bolsonaro. O presidente, aparentemente atendendo a um pedido do cacique progressista, manda um abraço para os familiares de Lira. “Grandes fãs, toda hora me pediam isso”, diz o parlamentar. No entanto, até pouco tempo atrás, Lira era, talvez, o líder de centro mais verborrágico diante dos mandos e desmandos do Planalto.

Lira propagava pelos corredores da Câmara, para quem quisesse ouvir, que o problema com o governo não era a falta de cargos, abundantes para o PP em governos passados, mas sim a “falta de confiança”. O líder explicava que Bolsonaro e seus aliados combinavam uma coisa a portas fechadas e faziam outra no plenário. De quebra, entregavam o centrão para os leões nas redes sociais.

Agora, com Bolsonaro oferecendo cargos para o Progressistas, surge um sorridente Lira ao lado do presidente da República. Não é para menos. Político da velha guarda, base dos governos Dilma e Temer, ele sabe que é a oportunidade de juntar “a fome com a vontade de comer”. A vitória imediata seria voltar a ter cargos dentro do governo, algo fundamental para manter sob controle sua base eleitoral em Alagoas. A outra é seu fortalecimento para suceder Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara.

Não é segredo que Lira sonha com tal posto. No início de 2019, colocou seu nome para brigar com o democrata e só retirou sua candidatura quando Maia fechou acordo com Ciro Nogueira, cacique maior do PP. Um isolamento de Maia seria benéfico para Lira retomar essa ambição com mais força. Até porque tudo indica que, caso Maia não consiga mudar as regras para disputar a reeleição, o nome apoiado pelo atual presidente da Câmara será o de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), atual líder da Maioria e nome mais próximo de Maia.

Assim, Lira poderia colocar seu nome para ser apoiado pelo “centrão bolsonarista” ante o centrão que se manteria ao lado de Maia, contando com a vantagem de ter o Planalto ao seu lado. Procurado pela CNN, Lira disse que não comentaria o vídeo já que “não se trata de nenhum assunto conectado à política”. Com tantas vantagens, algo difícil de acreditar.

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