Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Antropólogo bolsonarista preso em terra indígena

Vera Magalhães

O antropólogo bolsonarista Edward Luz foi preso por fiscais do Ibama no domingo, 16, ao tentar entrar em terra indígena na Amazônia. Ele tentava entrar na terra indígena Ituna/Itatá quando recebeu ordem de fiscais do Ibama para se retirar. Luz filmou a ação com um celular e resistiu à determinação. Pediu para ver a ordem de prisão dos fiscais, que disseram ser desnecessário, pois ele estaria sendo preso em flagrante delito.

Essa terra indígena na qual o militante bolsonarista foi detido foi a mais desmatada da Amazônia nos últimos dois meses, segundo medições do Inpe. Existe pressão de grupos locais pela não homologação da área, na qual vivem índios isolados. O Ibama mantém uma operação permanente na região graças à ameaça constante de invasão por parte de grileiros.

No vídeo, Luz diz que esteve na última terça-feira, dia 11, com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que teria chancelado sua ida à região. Salles disse que só viu o antropólogo uma vez, numa reunião solicitada por um político paraense, Zequinha Marinho (PSC), um dos comandantes do lobby contra a homologação da terra indígena.

Edward Luz é filho de um missionário norte-americano de mesmo nome. Ele foi expulso da Associação Brasileira de Antropologia. Seu pai declarou os índios iriam “ajoelhar voluntariamente adorando ou ajoelhar obrigatoriamente temendo”. Recentemente, Jair Bolsonaro nomeou outro missionário evangélico, Ricardo Lopes Dias, como coordenador do setor de índios isolados da Funai.