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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Apesar da expansão, deteriora qualidade da democracia, diz estudo

Equipe BR Político

No Brasil, a democracia é vista atualmente como a melhor forma de governo para a maioria da população, ainda que essa avaliação tenha sofrido queda de 7 pontos em relação a levantamento feito pelo Datafolha em outubro de 2018. Já na América Latina, a democracia se expande, mas de forma deteriorada, segundo pesquisa realizada por um dos principais institutos de pesquisa em ciência política no mundo, o Ideia Internacional. A forma de governo na região tem apoio de menos da metade da população (48%) e a insatisfação com o funcionamento dela passou de 51% para 71%, enquanto a indiferença entre um sistema democrático e um autoritário subiu de 16% para 28%. Outro termômetro da saúde do regime é a confiança nos Congressos, que alcança apenas 21% da população, e a nos partidos, que chega a magros 13%.

A América Latina hoje tem um dos níveis mais altos de desigualdade no mundo. Dos 26 países mais desiguais, 58% são latino-americanos. Em matéria de corrupção, a região está atrás apenas da África e Oriente Médio, com níveis altos de delinquência e violência em relação a outros países e regiões do mundo. “Em que pesem numerosas reformas, o Estado de direito continua sendo um dos principais tendões de Aquiles da democracia regional”, informa o pesquisador Daniel Zovatto.

Ainda que nove em cada dez latino-americanos vivam sob regimes democráticos, a última década registrou níveis preocupantes de deterioração da democracia no mundo em razão do aumento de regimes híbridos. O Brasil se encontra na lista dos países democráticos em erosão. Assim como a Nicarágua, a Venezuela padece há tempos um processo de ruptura democrática total. Com Cuba, formam o trio de regimes autoritários que hoje existem na região. Já o Haiti, Honduras, Guatemala, Paraguai, Bolívia e República Dominicana apresentam graus distintos de debilidade democrática. Costa Rica e Uruguai estão entre as melhores democracias do mundo.

“Os quatro maiores riscos são a redução do espaço para a ação cívica, as tentativas de enfraquecer os freios e contrapesos democráticos, os altos níveis de desigualdade e os ataques aos direitos humanos”, destaca Zovatto.

 

 

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