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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Incra vai usar Força Nacional em assentamento do MST

Equipe BR Político

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Cinco dias após um ataque deixar oito pessoas feridas no assentamento Jacy Rocha, em Prado, no sul da Bahia, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, atendendo a pedido do Ministério da Agricultura vai enviar cerca de 100 agentes da Força Nacional para atuarem na área. Segundo a pasta, eles foram destacados para acompanhar os “os trabalhos de campo dos servidores do Incra”. Segundo nota da pasta chefiada pela ministra Tereza Cristina, o Incra criou uma força-tarefa para acelerar o processo de titulação em assentamentos da reforma agrária localizados nos municípios de Mucuri e Prado.

Assentamento Jaci Rocha foi surpreendido por INCRA e PM com ações duvidosas. Foto: Coletivo de Comunicação do MST na Bahia

“A presença dos agentes, autorizada pelo Ministério da Justiça em portaria publicada hoje no Diário Oficial da União, visa impedir que novos ataques aconteçam, garantindo o bom andamento da operação”, diz o texto.

O ataque ocorrido na madrugada da última sexta-feira, 28, está sob investigação da Polícia Federal. Além dos feridos, o episódio deixou casas destruídas, um trator e uma moto incendiados. De acordo com o MST, o incêndio foi causado por “uma família que tem relação direta com o tráfico de drogas”, que foi colocada na terra pelo próprio Incra.

“O terror se tornou palpável e estão acusando o povo sem terra de atear fogo nas casas, quando na verdade todas as ações foram feitas pela família que o Incra e a Polícia Militar colocaram no assentamento”, diz nota do movimento. “Quadrilhas organizadas, com apoio comprovado de instituições como o Incra estão atacando os assentados e fazendo um plano de extorsão e criminalização das famílias assentadas do Extremo Sul da Bahia”, afirma o texto.

Do outro lado, pasta chefiada pela ministra Tereza Cristina afirma que ação que está sendo prometida tem como meta do governo “garantir aos assentados a titulação da terra onde vivem e produzem sem prejuízo no acesso às ações e benefícios específicos da reforma agrária. Com a posse definitiva do lote, os beneficiários terão direito a acessar todas as políticas públicas destinadas aos pequenos produtores rurais”, diz nota.