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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Após Davos, Doria marca distância de Bolsonaro

Vera Magalhães

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O Fórum Econômico Mundial, em Davos, parece ter consolidado no governador de São Paulo, João Doria, a percepção de que é preciso marcar uma distinção entre seu governo e o de Jair Bolsonaro. Depois de uma aproximação na campanha, que levou o tucano a adotar a marca “Bolsodoria” e a declarar apoio explícito ao então pesselista, o ano de 2019 foi marcado por um início em lua de mel entre ambos, mas um afastamento gradual, e por vezes ríspido, ao longo dos meses subsequentes.

Em Davos, Doria foi muito cobrado, nas reuniões e nos encontros dos quais participou, por conta da política de Bolsonaro, sobretudo para a área ambiental e em questões ligadas à democracia. Em todas essas ocasiões, repetia que não é aliado do presidente e pensa diferente dele.

De volta ao Brasil, deu declarações mais duras e contundentes com reparos a Bolsonaro, aos filhos e a auxiliares que externam posições antidemocráticas ou anticiência.

Nesta quarta-feira, o afastamento foi explicitado em artigo na Folha em que diz que São Paulo executa a agenda necessária ao Brasil. Enumera iniciativas de inovação tecnológica, incentivo ao agronegócio, boas práticas ambientais e abertura econômica e termina com um contraponto claro ao presidente. “Seremos firmes na defesa da democracia, da liberdade de imprensa e da criação artística. Rejeitamos aventuras autoritárias. Em São Paulo trabalhamos para construir o futuro, livres de radicalismo político”, escreve o governador.

Nos últimos dias, o deputado Eduardo Bolsonaro e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, têm carregado nas tintas das críticas a Doria, insinuando que ele fomenta propaganda do Estado de São Paulo em rádios para pavimentar o apoio da mídia a sua candidatura a presidente em 2022.

O tucano, por sua vez, parece apostar que uma versão semelhante da política econômica de Bolsonaro, mas sem o viés ideológico reacionário e os laivos autoritários serão suficientes para torná-lo um candidato competitivo. Nos meios políticos e econômicos, no entanto, se discute se, em caso de crescimento de moderado a alto da economia, os eleitores de Bolsonaro vão querer trocar seu governo por uma versão mais “civilizada” das mesmas políticas. E se o congestionamento de candidatos ao centro não inviabiliza uma alternativa à polarização entre PT e Aliança.

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