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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Após embate com Bolsonaro sobre cloroquina, Teich pede demissão da Saúde

Vera Magalhães

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O ministro Nelson Teich pediu exoneração do Ministério da Saúde. Ele concederá uma entrevista coletiva nesta tarde para explicar suas razões.

Teich deverá ser substituído pelo general Eduardo Pazuello, atual secretário-executivo da pasta.

O ministro completaria um mês no cargo neste sábado, dia 16.

Fontes do Ministério da Saúde disseram que a gota d’água para a saída foram duas reuniões, na quinta e na sexta-feira, com Jair Bolsonaro. O presidente exigiu um protocolo para o uso de cloroquina e hidroxicloroquina mesmo para casos leves e em estágio inicial da Covid-19.

Teich falou que o protocolo seria apenas para casos graves, e não iria ceder. Bolsonaro exigiu que Teich acatasse sua ordem, e ele disse que iria sair.

Nelson Teich, que pediu demissão do Ministério da Saúde nesta sexta-feira

Nelson Teich, que pediu demissão do Ministério da Saúde nesta sexta-feira Foto: Dida Sampaio/Estadão

A avaliação de sua breve passagem pela pasta em plena pandemia é a pior possível. Suas participações nas reuniões dos conselhos dos Estados e dos municípios foram marcadas por surras homéricas dos secretários estaduais. Enquanto os Estados queriam discutir o envio de respiradores, ele queria discutir medidas para o desconfinamento.

Teich nem chegou a montar sua equipe completa. Pouco se reuniu com assessores. Internamente, era visto como alguém perdido em meio à pandemia. Demonstrava profundo desconhecimento sobre os mecanismos de funcionamento do Sistema Único de Saúde e as transferências de recursos para entes federativos.

Pessoas que acompanharam sua curta e atabalhoada gestão dizem que ele aceitou o cargo por vaidade em plena crise, sem calcular os riscos para sua reputação.