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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Aras: conduta de Janot é ‘inaceitável’

Vera Magalhães

O novo procurador-geral da República, Augusto Aras, divulgou nota neste sábado em que classifica de “inaceitável” a conduta do ex-ocupante do cargo Rodrigo Janot, mas afirma que ela não pode, isoladamente, manchar a instituição do Ministério Público Federal, que estaria acima da conduta de qualquer ocupante do posto máximo da carreira.

Aras foi escolhido como um “outsider” em relação aos dois grupos que se revezaram no comando do MPF nos últimos 16 anos. Um deles é o ligado a Janot, que agora se dispersou depois que as revelações feitas por ele em autobiografia expuseram os ex-auxiliares e fragilizaram as realizações da Lava Jato. O outro era o ligado à antecessora de Aras, Raquel Dodge.

“O Ministério Público Federal é uma instituição que está acima dos eventuais desvios praticados por qualquer um de seus ex-integrantes. O procurador-geral da República Augusto Aras considera inaceitáveis as atitudes divulgadas no noticiário a respeito de um de seus antecessores”, diz a nota.

O texto reitera a “confiança” de Aras “no conjunto de seus colegas, homens e mulheres dotados de qualificação técnica e denodo no exercício de sua atividade funcional”. E conclui: “Os erros de um único ex-procurador não têm o condão de macular o MP e seus membros. O Ministério Público continuará a cumprir com rigor o seu dever constitucional de guardião da ordem jurídica”.

Na nota, Aras não faz nenhuma menção à busca e apreensão realizada na casa de Janot e às medidas determinadas contra ele por meio do inquérito do STF relatado por Alexandre de Moraes. Vários procuradores e promotores protestaram contra as medidas determinadas por Moraes nas redes sociais. O promotor paulista Roberto Livianu cobrou, pelo Twitter, que o PGR se manifestasse exigindo a revogação das medidas.