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por Marcelo de Moraes

Aras diz que acusação de ajuda da Abin a Flávio é grave, mas pede provas

Equipe BR Político

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O procurador-geral da República, Augusto Aras, falou nesta terça-feira, 15, com jornalistas sobre a informação de que a Abin auxiliou o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) a se defender no processo em que o filho do presidente da República é denunciado por peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa por um esquema de “rachadinha”, entre 2007 e 2018, pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro.

O procurador-geral da República, Augusto Aras

O procurador-geral da República, Augusto Aras Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ontem, a ministra Cármen Lúcia, do STF, deu um prazo de 48 horas para receber uma explicação sobre o suposto ato de impessoalidade da Abin e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) a favor do senador.

Aras afirmou que o fato narrado é grave, mas que carece de provas. “O fato em si narrado é grave, o que não temos são provas desses fatos, nós não trabalhamos com narrativas. Trabalhamos com fatos e provas”, disse o PGR, durante conversa com jornalistas na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, informa Rafael Moraes Moura, do Estadão.

O procurador também acrescentou que não sabe se foi um ato institucional ou isolado de algum servidor. “Nesse momento não sabemos se temos uma atuação do órgão ou de algum agente público que se desviou de suas atividades lícitas. Em tese pode ser até crime, o que precisamos saber é se o fato existiu e precisamos ter elementos”, disse.

No domingo, 13, após a repercussão da notícia revelada pela revista Época, o ministro do GSI, general Augusto Heleno, divulgou nota em que nega a existência de uma “Abin paralela” ou “Abin clandestina”.

A revista Época revelou a existência de dois relatórios da Abin sugerindo elementos para anular a investigação contra Flávio Bolsonaro. Nos documentos, aponta a reportagem, a agência detalha o funcionamento de suposta organização criminosa na Receita Federal que, segundo a defesa de Flávio, teria feito uma devassa nos dados fiscais do senador. Em um dos documentos, a finalidade descrita é ‘Defender FB no caso Alerj’. Entre as sugestões listadas pela inteligência estão a demissão de servidores do Fisco e da Controladoria-Geral da União (CGU), órgão responsável pela fiscalização da administração pública. De acordo com a Época, os relatórios foram enviados em setembro, por WhatsApp, a Flávio, que os repassou aos seus advogados.

Citado na defesa de Flávio, o auditor-fiscal Christiano Paes Leme Botelho foi demitido na semana passada do cargo de chefe do Escritório da Corregedoria da Receita Federal no Rio de Janeiro.