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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Aras será sabatinado em meio a crise no Senado

Vera Magalhães

Augusto Aras costurou de forma habilidosa, moldando suas promessas e se apresentando com cores distintas a depender do público, nas conversas que teve com senadores preparatórias à sua sabatina para o cargo de procurador-geral da República, que ocorre nesta quarta-feira. Apesar da boa vontade geral de bancadas que vão do PP ao PSL com sua indicação, no entanto, Aras encontrará um Senado semiparalisado graças à ação do Supremo Tribunal Federal contra o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

Em relação à Lava Jato, tema mais sensível que enfrentará na sua inquirição, Aras defenderá a operação e a necessidade de que ela seja uma política de Estado, mas será crítico ao fato de ter se tornado quase um ente autônomo, apartado do restante do Ministério Público Federal, como mostra reportagem da Folha. O relator do nome de Aras é o senador Eduardo Braga (MDB-AM), ele mesmo alvo de vários inquéritos e processos.

Na sabatina ele também deverá ser questionado sobre o fato de ter acumulado a função de subprocurador-geral da República com o exercício da advocacia, algo que a Constituição permite a procuradores que ingressaram na carreira antes de 1988. O Estadão mostra em reportagem que essa atuação dupla já levou Aras a questionar na Justiça vedações impostas por resolução do CNMP a sua atuação como advogado. Ele diz que vai encerrar sua participação no escritório de que é sócio tão logo seja aprovado pelo Senado.