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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Araújo pró-soberania, mas Salles quer o dinheiro

Vera Magalhães

O Itamaraty divulgou uma nota, depois de o Palácio do Planalto anunciar a recusa em aceitar os US$ 20 milhões oferecidos pelo G-7 para conter as queimadas na Amazônia, em que cobra a França pelo cumprimento do Acordo de Paris e diz que o país é ambíguo quanto ao reconhecimento da soberania brasileira. A nota foi também uma reação à declaração do presidente francês Emmanuel Macron de que está aberto um debate pela “internacionalização” da Amazônia. Na nota, o chanceler Ernesto Araújo cobra o cumprimento de uma cláusula do Acordo de Paris pela qual os países ricos se comprometiam a empregar US$ 100 milhões por ano para o financiamento climático de países em desenvolvimento até 2020, “compromisso que não está sendo cumprido nem remotamente”. “O Brasil está pronto para avançar soberanamente, em consonância com os instrumentos internacionais de que somos parte e nossa própria política ambiental, na implementação de ações concretas de combate ao desmatamento e à degradação de florestas, particularmente na Amazônia”, diz o texto.

Pela primeira vez desde o início do governo, o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) divergiu de uma decisão de Jair Bolsonaro. Em entrevista ao Roda Viva depois do anúncio da recusa do dinheiro do G-7, Salles disse que era “importante” que o dinheiro fosse aceito, e que tem uma visão diferente da do titular da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

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