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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Artigo: Curva achatada ou escalada do Everest?

Equipe BR Político

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Neste artigo, a jornalista Gabriela Wolthers, sócia-diretora da FSB e responsável pelo núcleo de Contas Públicas da empresa, entre elas a do Ministério da Saúde, faz um balanço das ações da pasta até aqui no combate ao novo coronavírus e situa o Brasil em relação aos demais países em relação a dados como número de leitos de UTI e equipamentos como respiradores pulmonares. A conclusão é que o País está bem estruturado e agiu cedo, mas as próximas semanas serão definidoras para dizer se vamos conseguir achatar a curva de contágio ou “escalar o monte Everest”.

Gabriela Wolthers*, especial para o BR Político

O Brasil ultrapassou neste final de semana os 10 mil casos confirmados e hoje deve passar dos 500 mortos.

Na analogia que o Ministério da Saúde usa desde o início da pandemia, o Brasil chegou na base da montanha. Vamos começar a escalada. Principalmente em São Paulo e Rio, mas com atenção também no Ceará, Distrito Federal e Amazonas.

Nesta próximas semanas veremos se a curva será achatada ou se teremos que escalar o monte Everest. Pelos estudos de casos, a nossa curva está mais para a Inglaterra do que para Itália, Espanha ou Estados Unidos.

No Brasil, começamos as medidas restritivas de circulação antes de os casos aumentarem. E, apesar de todos os problemas do sistema de saúde, a Itália, por exemplo, tinha apenas 5 mil leitos de UTI antes da pandemia para uma população de 60 milhões de habitantes. Os Estados Unidos, com uma população de cerca de 330 milhões de habitantes, possuíam 98 mil leitos de UTIs.

Nós tínhamos 55 mil leitos de UTI no país antes da pandemia para uma população de 210 milhões de pessoas. O Ministério da Saúde está preparando mais 3 mil UTIs volantes. O Estado de São Paulo reservou um prédio inteiro do Hospital das Clínicas para a Covid-19 e mais de 3 mil novos leitos estão sendo entregues. No Rio, são mil leitos de UTI a mais.

Tínhamos 65 mil respiradores antes da pandemia no Brasil. As fábricas instaladas no país estão produzindo 17 mil e o país comprou 15 mil a mais no exterior.

Como efeito de comparação, o Brasil tem 31 respiradores por 100 mil habitantes. Os EUA têm 36, a Alemanha 30,  Inglaterra 12 e a França 8. Na América Latina, por exemplo, Argentina tem 19,3 e o Chile, 8 respiradores por cem mil habitantes.

O Ministério da Saúde distribuiu 40 milhões de equipamentos para médicos e enfermeiros (os chamados EPIs) para todos os Estados. E fechou a compra de mais 300 milhões de EPIs.

Com o temor genuíno da escalada, ou espiral, como prefere o ministro da Saúde, todos torcem para a descoberta de um remédio para a Covid-19.

Inúmeras experiências estão sendo feitas em todos os cantos do mundo. Remédio contra malária, vacina contra tuberculose, medicamento que combate parasita, plasma de pessoas já infectadas.

Agora, um remédio como o Tamiflu, que realmente combatia o H1N1 já nos primeiros sinais, isso ainda não tem. Todos os experimentos até agora são para pacientes graves.

Vamos começar a semana acompanhando o comportamento do vírus no Brasil. E nunca esquecer que em mais de 80% dos casos, os sintomas são leves.

* Gabriela Wolthers é jornalista e sócia-diretora de Contas Públicas da FSB, entre elas a do Ministério da Saúde.

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