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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

As investigações de desvios na Saúde que atingem Witzel

Equipe BR Político

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Operações que apuram desvios na compra de equipamentos e em contratações para a área da saúde no Rio de Janeiro têm sido deflagradas desde o início do mês. A última delas foi a Placebo, da Polícia Federal, nesta terça-feira, 26, que atingiu o governador do Rio, Wilson Witzel, com mandados de busca e apreensão na residência oficial do ex-magistrado e em endereço ligado à primeira-dama, que estaria ligada a investigados. A Procuradoria apontou “estrutura hierárquica devidamente escalonada” no Poder Executivo do Estado para contratações com “fortes indícios de fraudes”. O chefe do Executivo estadual nega qualquer prática de ilícito e atribui as ações policiais a motivações políticas por parte do presidente Jair Bolsonaro, seu desafeto, especialmente após a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) adiantar ontem que haveria operação, “nos próximos meses”, contra governadores.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel Foto: Wilton Júnior/Estadão

Antes da Placebo, outras duas investigações da Polícia Civil, do Ministério Público Estadual e da própria PF do Rio foram importantes para que se chegasse à apuração de hoje sobre compras suspeitas feitas durante a pandemia pelo governo fluminense.

Mercadores do Caos

No dia 7 de maio, o ex-subsecretário de Saúde do Estado, Gabriell Neves, foi preso no âmbito da Operação Mercadores do Caos, da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio. A investigação descobriu que o ex-número 2 da Saúde do Estado centralizou os processos de contratação e compra de equipamentos e superfaturou compras emergenciais de respiradores. Neves fechou um contrato de R$ 9,9 milhões por 50 aparelhos. Dos 66 contratos firmados por ele, 44 foram cancelados. 

Depois de suspeitas de irregularidades, ex-subsecretário foi afastado do cargo no dia 20 de abril. O governo do Rio havia empenhado cerca de R$ 1 bilhão para fechar contratos emergenciais, sem licitação. Os valores seriam destinados para a compra de respiradores, máscaras e testes rápidos. A maior parte do dinheiro, quase R$ 836 milhões, seria destinada para a Organização Social (OS) Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), responsável pelo Hospital de Campanha do Maracanã e outras seis unidades que ainda não foram entregues. A empresa também está sendo investigada na Operação Placebo.

Há duas semanas, Gabriell Neves foi ouvido por seis horas por promotores estaduais em um depoimento que reforçou as suspeitas de ligação das pessoas envolvidas no esquema com Witzel. Trechos do depoimento tomado em um procedimento que apura fraudes no contrato do Hospital de Campanha do Maracanã foram enviados ao STJ.

Favorito

No dia 14 de maio, a Polícia Federal deflagrou a Operação Favorito, que foi desencadeada como uma nova etapa da Lava Jato no Estado. Ela chegou à implantação de hospitais de campanha para tratamento de pacientes contaminados pelo novo coronavírus no Rio. Foram presos o ex-deputado estadual Paulo Melo e o empresário Mário Peixoto, apontado como o chefe de uma organização criminosa investigada por supostos desvios na saúde do Rio. Nas investigações, foram colhidas provas que indicam relação de proximidade entre o governador e Peixoto.