Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘As pessoas vão tomar as ruas, vai haver saques’, diz líder em Paraisópolis

Alexandra Martins

Exclusivo para assinantes

Impossibilitada de seguir as recomendação mínimas de combate ao coronavírus, como isolamento social, uso de álcool em gel e higienização das mãos, a população das favelas será uma das principais afetadas pela pandemia, segundo previsão de um dos líderes e fundadores do G-10 Favelas, bloco que reúne representantes de favelas do Rio, Amazonas, Pará, Pernambuco, Maranhão e Distrito Federal, Gilson Rodrigues. Em entrevista à BBC Brasil, ele critica a falta de um plano específico do governo federal para as comunidades carentes. Ele reflete o temor dos moradores das comunidades de que uma das medidas federais de controle da pandemia nas favelas seja o envio do Exército para controlar quem entra e sai dos aglomerados. Mas vai além. “O que está se desenhando no Brasil, que parece planejado, é deixar os pobres morrerem. E vai acontecer uma situação de guerra civil. Porque se as pessoas começam a passar fome, tudo fechado, sem perspectiva, e sem apoio do governo, o que vai acontecer? As pessoas vão tomar as ruas, vai haver saques”, declara. Gilson também é líder comunitário e presidente da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis, comunidade com 100 mil habitantes na zona sul de São Paulo.

Na quarta, 18, o ministro Paulo Guedes anunciou a liberação de R$ 200 para distribuir a cada um dos “38 milhões” trabalhadores informais e autônomos por três meses. “A preocupação do presidente é o mercado informal. São 38 milhões de brasileiros vendendo mate, sem emprego formal, flanelinhas. Chamamos de autônomos. Vamos atender esse grupo”, disse ele. Hoje, o aluguel de um barraco na Vila Margarida, por exemplo, periferia de São Vicente (SP), não sai por menos de R$ 400. Como você leu mais cedo aqui no BRP, o setor de comércio prevê demissão de cinco milhões de trabalhadores até abril.

 

Tudo o que sabemos sobre:

favelasParaisópoliscoronavírus