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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Assessores da Presidência assessoram Eduardo

Vera Magalhães

Não só o chanceler Ernesto Araújo foi aos Estados Unidos acompanhar o filho do presidente Jair Bolsonaro em seu encontro com o presidente Donald Trump. Três assessores da Presidência da República integraram a comitiva do deputado federal e candidato a embaixador em Washington, cujo nome nem foi ainda apresentado ao Senado: os assessores especiais da Presidência Filipe Martins e Arthur Weintraub (irmão do ministro da Educação, Abraham Weintraub), e o secretário-executivo da Casa Civil, Vicente Santini –que, dado o cargo que ocupa, não se sabe o que teria a ver com o objetivo da viagem.

Chanceleres não costumam ser assessorados por integrantes da Presidência em suas viagens –já dispõem da estrutura do Itamaraty, muito mais preparada, e, no caso de Washington, da embaixada mais aparelhada do País. Deputados federais também não costumam contar com esse tipo de assessoramento. A Casa Civil informa que ministério, Casa Civil e Comissão de Relações Exteriores foram juntos na viagem para mostrar “unidade do Estado brasileiro”. E que Santini foi junto porque a Casa Civil coordena as ações do governo.

A viagem foi para lá de heterodoxa segundo os preceitos da diplomacia tradicional. Em análise no Estadão neste sábado, o doutor em Relações Internacionais Lucas Leite lembra que houve uma viagem oficial do presidente aos Estados Unidos há pouco tempo. “Jair Bolsonaro exalta o filho à categoria de para-chanceler enquanto não consegue os votos necessários à aprovação deste no Senado para o cargo de embaixador nos Estados Unidos”, escreve.

O próprio Ernesto Araújo disse que a viagem foi “simbólica“, para mostrar ao mundo a “relação diferenciada” entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil. Mas não foi feito nenhum anúncio de resultados práticos da visita –como Jair Bolsonaro havia dito que haveria.

Martins, Bolsonaro, Araújo, Weintraub (atrás) e Santini na Casa Branca