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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ataques de Bolsonaro a Bachelet elevam pressão sobre Piñera

Equipe BR Político

As declarações do presidente Jair Bolsonaro contra a comissária para direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, elevou a pressão sobre o presidente chileno, Sebastián Piñera, de forças que o apoiam e da oposição para que ele se posicione contra o aliado brasileiro, informa o jornal La Tercera. As críticas ocorreram após a ex-presidente do Chile afirmar nesta quarta-feira, 4, que observa “uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos” no Brasil.

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, e Michelle Bachelet, Comissária da ONU para Direitos Humanos e ex-presidente do Chile

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, e Michelle Bachelet, Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos. Fotos: Marcos Corrêa/PR e Martial Trezzini/Keystone via AP

Em resposta, Bolsonaro não só reiterou o argumento da soberania como também estendeu as críticas ao pai de Bachelet, Alberto Bachelet, que foi torturado e morto pela ditadura de Augusto Pinochet. Michelle foi presa e também torturada pela polícia de Pinochet nos anos 1970. “Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época”, escreveu Bolsonaro.

Segundo a publicação chilena, os comentários no Palácio de la Moneda eram de que Bolsonaro “se excedeu”. O presidente do Senado chileno, Jaime Quintana, “exigiu” que Piñera se posicione a favor de Bachelet até que uma nota oficial seja divulgada. O chanceler chileno, Teodoro Ribera, numa casualidade, desembarcou em Brasília para encontro com o ministro Ernesto Araújo no início desta tarde de quarta, 4, sem saber do episódio.